Uma reviravolta na própria história

Dante - zagueiro da seleção brasileira

iG Minas Gerais | Gabriel Pazini |

“Vivemos em uma democracia, e se o povo está infeliz com alguma coisa, tem que reivindicar.”
Stephan Savoia
“Vivemos em uma democracia, e se o povo está infeliz com alguma coisa, tem que reivindicar.”

Em pouco mais de um ano, a vida de Dante mudou completamente. Até então, o zagueiro da seleção brasileira era um bom jogador que, apesar de titular absoluto do Bayern de Munique, era pouco conhecido pela maioria dos brasileiros. Além disso, seu clube passava por uma seca de títulos, após ver o Borussia Dortmund ganhar duas vezes o Campeonato Alemão. No entanto, desde a primeira convocação para a seleção brasileira, Dante viu acontecer uma reviravolta em sua própria história.

O defensor já merecia ser chamado para defender o Brasil desde os tempos de Borussia Mönchengladbach, mas quis o destino que seu nome aparecesse justamente na primeira lista de Felipão em seu retorno ao comando do escrete canarinho. Dante foi convocado para enfrentar a Inglaterra no dia 6 de fevereiro e nunca mais saiu do grupo da seleção.

Depois disso, títulos e mais títulos. Com a seleção brasileira, o jogador faturou a Copa das Confederações no ano passado. Já em seu clube, conquistou um lugar na história. Depois de duas temporadas sem levantar a salva de prata, o Bayern foi bicampeão alemão quebrando recordes, bicampeão da Copa da Alemanha, campeão da Supercopa da Uefa, do Mundial de Clubes e, é claro, da Uefa Champions League. Tudo isso em apenas dois anos.

Uma transformação e tanto para o zagueiro, que tinha sido revelado pelo Juventude, rodou por Lille-FRA, Charleroi e Standard Liège, ambos da Bélgica, e só conseguiu uma oportunidade em uma liga maior em 2009, na Alemanha, pelo Borussia Mönchengladbach.

Em entrevista exclusiva a O TEMPO por telefone, o zagueiro da seleção brasileira se emocionou ao recordar o começo difícil de carreira, quando não conseguia se firmar em nenhum clube e rodou por ligas menores até que conseguiu, aos 29 anos, chegar à seleção brasileira.

Às vésperas da apresentação na Granja Comary, o zagueiro fez uma pausa na agenda disputada para meia hora de conversa, na qual falou, dentre outros assuntos, sobre a emoção de defender o Brasil na Copa, da temporada com o Bayern, das manifestações durante o Mundial e cravou: “O Brasil é favorito, e quero muito ganhar esse título”.

Como é a emoção de defender o Brasil numa Copa?

É uma emoção muito grande. Poder estar na seleção brasileira em uma Copa do Mundo, e principalmente esta, em casa, é um sentimento especial. Um sonho que virou realidade, podemos dizer.

Como foi o momento da convocação para o Mundial?

Foi muito emocionante. Eu estava em casa com a minha família, meu pai, minha tia e meu primo. Nós fizemos uma bela festa. Foi um dia muito emocionante, que vai ficar marcado para sempre para mim, afinal foi quando vi que ia realizar o sonho de representar o Brasil na Copa do Mundo.

O que o Felipão tem de tão especial?

O Felipão é um cara muito sincero e bacana. Dá prazer de estar nessa seleção. Todos estão muito unidos pela nossa missão, que é conquistar esse título. O clima é muito bom. Todo mundo gosta de todo mundo, e estamos focados e confiantes para dar nosso máximo.

O Brasil é favorito na Copa do Mundo?

Sim. Temos um grande time e estamos jogando em casa. Vai ser muito difícil a competição, mas temos totais chances de conquistar esse título.

Quais seleções você considera favoritas no Mundial?

Alemanha, Espanha, Argentina, Itália e sempre vai ter uma seleção-surpresa que, nesta Copa, pode ser a Bélgica, que tem muita qualidade e uma geração muito boa de jogadores, como Hazard, Mirallas, Kevin de Bruyne, que conheço bem do Wolfsburg (da Alemanha). Acho que a Bélgica pode surpreender.

O que você pensa sobre as manifestações que vão acontecer durante a Copa?

Acho que são válidas. Vivemos em uma democracia, e, se o povo está infeliz com alguma coisa, tem que reivindicar. Mas, ao mesmo tempo, não apoio a violência que possa ocorrer. Se as manifestações acontecerem, que sejam em um clima legal. E não se esqueçam, temos uma eleição vindo agora em outubro. Portanto, se as pessoas estão insatisfeitas com algo, que votem com consciência também.

Quando estava na França e na Bélgica, você sonhava e achava possível disputar a Copa do Mundo um dia?

Sonhava com isso, sim. Acho que é o sonho de todo jogador brasileiro estar um dia na nossa seleção. Trabalhando muito, consegui chegar ao Bayern e, consequentemente, à seleção.

O Bayern conquistou o Campeonato Alemão e a Copa da Alemanha, além do Mundial de Clubes e da Supercopa da Uefa, mas foi eliminado na Champions League com uma derrota pesada em casa para o Real Madrid. Como você avalia a temporada?

Foi muito boa, fomos eliminados na Champions, mas conquistamos quatro títulos, como você disse. Na Champions League, chegamos à semifinal e, infelizmente, não deu para chegar à final de novo, mas fizemos uma grande campanha.

O que deu errado contra o Real Madrid na semifinal?

O Real é uma grande equipe, e não é à toa que foi campeão com todos os méritos. Infelizmente, levamos dois gols de bola parada no jogo de volta logo no começo da partida, do mesmo jeito que o Atlético de Madrid levou no fim do jogo na final. A nossa equipe se abalou com os dois gols, e não deu mais para reagir.

Como é trabalhar com o Pep Guardiola?

Pep é um grande treinador, se não for o melhor do mundo. É uma honra poder ter ele como treinador e poder aprender com ele todos os dias. O Pep é um treinador com ideias modernas e vencedor, que vive o futebol 24 horas por dia. É um cara fantástico e uma pessoa muito boa.

O que o Guardiola tem de especial?

Ele gosta muito do futebol ofensivo, para frente, sem medo, ousado, de um jogo mais controlado, sem dar muito campo ou posse de bola para o adversário. Ele também é uma pessoa que estuda profundamente o futebol e é detalhista ao extremo, atento a todos os movimentos do jogo. Durante os treinos, ele diz que não trabalha uma semana inteira para perder. Ele busca sempre aprimorar algo, tanto é que chegou ao Bayern com o intuito de melhorar a nossa equipe, que era uma equipe campeã. Portanto, ele sempre nos passa detalhes que possam fazer a diferença durante os jogos, e vem dando certo.

Qual o momento mais difícil da carreira e como foi a superação desse momento?

E como é a sensação hoje, quando você olha para trás e se orgulha de ter superado as dificuldades e de estar defendendo seu país na Copa do Mundo? Foi no começo, quando não conseguia me firmar em nenhum time. Mas, felizmente, o Juventude me deu uma chance, e consegui ser um jogador profissional e realizar o meu sonho. Saí cedo de casa, rodei pela França e pela Bélgica, só cheguei a um clube grande com 28 anos, na seleção brasileira com 29, e, hoje, estou com a seleção para disputar uma Copa do Mundo e realizar o meu sonho. Quero muito ganhar esse título.

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