Artista encontra refúgio através de suas pinturas

Do barroco ao abstrato, Valdir Silva se dedica à pintura desde a sua infância; pintor afirma que se sente realizado com o trabalho e pretende homenagear Contagem

iG Minas Gerais |

Orgulho. 
O artista plástico Valdir Silva dedicou sua vida à pintura e atualmente divide sua atenção com a casa de lazer Refúgio do artista
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Orgulho. O artista plástico Valdir Silva dedicou sua vida à pintura e atualmente divide sua atenção com a casa de lazer Refúgio do artista

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Refúgio do Artista

O espaço para recepção e lazer fica localizado na Rua Alfredo Avelino Diniz, 189, Centro.

Telefone: 3352-3798 ou pela rede social: www.facebook.com/regugiodoartista

Há quem tenha feito da música seu refúgio, porém o artista plástico Valdir da Conceição Silva faz da pintura seu grande lema de vida há 42 anos.

Nascido em Belo Horizonte, Silva mora em Contagem desde que fechou seu ateliê na capital mineira, na década de 90, e se mudou em busca de um lugar sossegado e tranquilo para que dessa forma ele continuasse a pintar seu quadros.

Desde pequeno, Valdir Silva se interessava por desenhos, tintas e pinturas. Aos 18 anos, ele começou a pintar e, aos poucos, se dedicou aos estudos para se profissionalizar.

Sem nenhum tipo de incentivo, o pintor começou com a pintura barroca. Na sequência, ele passou a trabalhar com outros estilos até chegar no estilo abstrato que pinta atualmente.

Apesar de ter um grande professor como ícone da arte, Silva conta com a inspiração que vem a partir de sua própria criatividade. “Na época em que eu pintava a arte inspirada no barroco, eu buscava a inspiração no contexto histórico, agora eu preciso buscar inspiração nas minhas fantasias. À medida que vou pintando, vai saindo”, revelou o artista.

Refúgio do artista

Com experiência vasta no ramo das artes, Valdir conta que seu dia a dia é bem agitado. Ele se divide entre a pintura e sua ocupação com a casa de festas.

Para complementar a renda, Valdir investiu numa casa grande localizada no Centro de Contagem e lá ele recebe o público para festas e também expõe suas obras.

Sem abrir mão de sua grande paixão, Valdir unificou seu trabalho. “A casa que alugo para festas tem quadros espalhados por todos cantos. As pessoas se divertem e acabam conhecendo um pouco do meu acervo”.

Barreiras

Hoje em dia, é muito difícil ser artista. “As galerias não aceitam ‘qualquer artista’, é preciso uma indicação para que assim possamos participar. Os artistas que tem seus trabalhos expostos em feiras acabam sofrendo preconceito por acreditar que o pintor de feira não tem valor”.

Numa ocasião, Valdir chegou assinar seus quadros com um codinome diferente para que pudesse entrar em uma galeria.

Além disso, Valdir explica que às vezes o público frequentador das feiras não conhece verdadeiramente a arte. “Devido à falta de conhecimento, as obras são vendidas por um preço bem mais barato, e isso acaba prejudicando o artista”, avaliou.

Outro ponto levantado pelo artista é a falta de oportunidade encontrada em Contagem. “Sinto falta de uma galeria de arte na cidade. Contagem poderia abraçar mais os artistas genuínos e alocados no município com incentivo e apoio”, ressaltou.

Época de ouro

Em 1972, o pintor participou pela primeira vez de uma exposição e não parou mais.

De lá pra cá, Valdir Silva esteve presente em muitas exposições, tendo até participado de gincanas, onde conquistou títulos. “Muitos dos meus trabalhos foram premiados, o que é motivo de muita satisfação e alegria”.

Não apenas em Minas Gerais, o artista recebeu prêmios em Brasília e convites para expor suas obras em Portugal, mas Valdir não aceitou a proposta e decidiu ficar em terras contagenses. “Além da timidez, não gosto de viajar, gosto de ficar aqui no meu refúgio”, declarou Silva.

Alguns hotéis de Belo Horizonte tem em sua decoração quadros de Valdir. “Na época eu vendia cerca de 200 quadros, e os hotéis eram totalmente decorados com as minhas pinturas. Eu vendia até para pessoas no Rio de Janeiro”.

Ele acrescentou ainda que “hoje em dia as pessoas querem os quadros apenas para combinar com a textura e isso faz com que a essência da arte se perca”, concluiu.

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