Hoje é dia de ‘São Victor’: um ano da canonização do goleiro

Victor Goleiro do Atlético

iG Minas Gerais | Thiago Prata |

UARLEN VALERIO / O TEMPO
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“O Atlético é o clube que mais marcou minha carreira. É o clube que me abriu as portas. Teve todo o empenho do Kalil em me trazer para cá. Sou muito grato por todo o carinho, a estrutura, as condições de trabalho e o reconhecimento do meu trabalho.”  

Dia 30 de maio de 2013. O Independência foi palco de um momento épico. Foi nesse estádio que a Massa testemunhou um milagre protagonizado pelo goleiro Victor. Aos 48 min do segundo tempo, o arqueiro defendeu a penalidade de Riascos, do Tijuana, pelas quartas de final da Libertadores, mantendo vivo o sonho da conquista do torneio, concretizado em julho. Hoje, um ano depois, a torcida alvinegra comemora o dia de “São Victor”, agradecendo por todos os seus milagres e torcendo bastante pelo “santo” na seleção brasileira, durante a Copa do Mundo.

Fale um pouco daquele lance genial.

Foi um lance marcante. O lance que mais marcou minha carreira. Aonde quer que eu vá, todo mundo fala que aquele pênalti que eu defendi com o pé foi o início da trajetória do Atlético para ser campeão da Libertadores.

Você tinha estudado os pênaltis que o Riascos bateu. Mas na hora é outra história e tudo pode mudar. Como foi na hora do pênalti?

Eu lembro de cada detalhe do lance, desde a marcação do pênalti. Procurei analisar durante a semana os cobradores de pênalti do Tijuana, porque a decisão por pênaltis era uma realidade. Só não imaginava que pudesse ocorrer aos 48 min do segundo tempo. Tinha poucas informações do Riascos, mas as poucas que tinha eram de que ele batia no canto direito. E foi o canto em que tentei fazer a defesa. Ele acabou batendo no meio. Consegui levantar o pé a tempo de chutar a bola para longe e impedir qualquer possibilidade de rebote.

Quando o juiz marcou o pênalti, o torcedor do Atlético ficou pensando que o fim poderia ser ali. Mas você salvou o time. Você se considera um santo ou um herói?

É legal ser colocado desta forma pelo torcedor e pela imprensa de uma forma geral. Só que isso aumenta a responsabilidade. Claro que foi um lance histórico dentro do clube. Mas eu acredito no trabalho e na preparação. Sei que foi um lance totalmente atípico, pois você não treina para fazer uma defesa com os pés. É um lance de improvisação, de reação mesmo. E quando você é visto como um santo pelo torcedor, a responsabilidade aumenta. E isso faz com que você trabalhe cada dia mais para manter o alto nível e fazer valer esse apelido.

Você recebeu muitas mensagens, ganhou cartazes em agradecimento e ficou com a bola do pênalti. Onde você guarda isso tudo?

Tenho uma sala de troféus, de recordações da minha carreira. Estou ajeitando tudo. Estou fazendo uma reforma na minha casa para fazer um cantinho especial.

Então vai ter que aumentar a sala, diante de tantas coisas que recebe?

Não, não (risos). É para deixar tudo bem acomodado, tudo bem exposto. E no fim de carreira, poder mostrar para os filhos, os netos e os amigos o que a gente já fez um dia pelo futebol.

Kalil uma vez disse que não reviu aquele lance do pênalti porque tem medo de ver a bola entrando. E você, chegou a ver quantas vezes aquela defesa?

Já perdi as contas. Mas sempre procuro dar uma olhada naquele lance e em outros da Libertadores. Isso me traz boas lembranças e me deixa feliz. E estando feliz, você fica bem para trabalhar e se motivar cada dia mais.

O que o Riascos representa para você?

O Riascos entrou para a história do Atlético e para a minha história como o batedor que não conseguiu fazer o gol. Mas poderia ter sido com outro jogador. São coisas que acontecem no futebol. Quando uma história está sendo escrita, o destino determina que as coisas aconteçam. Acho que nem o melhor dos roteiristas conseguiria fazer um final como aquele. O Cuca definiu aquele lance do pênalti como o maior da Libertadores. Os torcedores o classificaram como o fim de uma maldição. Mas de nada adiantaria se o time não fosse campeão. Relembre um pouco a reta final.

Nos jogos contra Newell’s e Olimpia, a gente vinha de placares adversos. Sofremos 2 a 0 nos confrontos de ida, contra Newell’s e Olimpia. E tivemos força para reverter as duas situações. Felizmente nas cobranças de pênaltis conseguimos avançar à final e ser campeões. Tivemos sorte de campeão também, sorte de uma equipe que trabalhou muito para ser campeã. Chegam muitas propostas de clubes do exterior para você?

Chegam sondagens. Sempre há especulações. Mas não é algo que tenho como objetivo de carreira. Claro que, se aparecer algo bom para mim e para o Atlético, a gente discute. Mas hoje, com 31 anos, acho pouco provável que aconteça. O que mais falta ao Victor, além da conquista da Copa do Mundo?

Acho que o título brasileiro é o grande objetivo, um sonho que tenho. Ganhei a Copa do Brasil, a Libertadores e campeonatos estaduais. Então, ganhar a Copa do Mundo e o Campeonato Brasileiro seria a grande consagração da minha carreira.

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