Joaquim Barbosa: popular ou populista?

iG Minas Gerais |

Joaquim Barbosa disse que vai deixar em breve a magistratura. Muitos vão comemorar; outros irão lamentar profundamente. Para alguns, ele já vai tarde; para muitos, ele fará muita falta na desprestigiada magistratura brasileira. Para aqueles que nunca acreditaram na punição dos poderosos no Brasil, JB se mostrou, especialmente no julgamento do mensalão do PT, um exemplo de juiz independente, idealista. Precisamente por isso se tornou o mais popular julgador do país (de todos os tempos). Jamais um juiz da Suprema Corte foi tão adorado, mas, ao mesmo tempo, odiado, inclusive pelos seus colegas de tribunal, pelo seu irascível temperamento, pela sua incapacidade de dialogar, de buscar consensos.  

JB, que mandou para a cadeia quem violou as bases sagradas da democracia, comprando votos de parlamentares corruptos, se tornou extremamente popular justamente porque conta também com perfil populista. Nunca titubeou, mesmo como magistrado ou presidente da Corte, em jogar para as massas, usando inclusive gestos e linguagem inteligíveis por elas. Nessa arte mostrou-se insuperável. Proferiu votos importantes (quando aprovou o aborto anencefálico, por exemplo), mas nunca deixou de se mostrar agressivo, autoritário e deselegante em suas manifestações. Ficará para a memória do tempo tanto quanto todos os populistas da história.

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