Ministros são surpreendidos

Para Marco Aurélio Mello, Joaquim Barbosa ficará conhecido como o relator do mensalão

iG Minas Gerais |

Postura. Barbosa discutiu com colegas, inclusive com troca de ofensas, para defender seus pontos de vista
Postura. Barbosa discutiu com colegas, inclusive com troca de ofensas, para defender seus pontos de vista

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou que a decisão do presidente da Corte, Joaquim Barbosa, de se aposentar agora em junho “pegou de surpresa” o tribunal. “Pelo menos um dos integrantes, que sou eu, está surpreso”, disse, antes do início da sessão do plenário da Corte na tarde dessa quinta. “Não sabíamos de nada. Pelo menos eu não tinha conhecimento de que ele deixaria o tribunal antes da expulsória (prazo limite para que o servidor fique no cargo em função da idade, no caso de ministro de STF, 70 anos).”  

Para Marco Aurélio, Barbosa “ficará conhecido como relator da ação penal 470, a denominada ação do mensalão”. “Foi justamente o que o projetou no cenário nacional.”

Ao ser questionado sobre qual teria sido o motivo para a decisão de Barbosa, Marco Aurélio opinou: “Ah! Problema de saúde! Eu não concebo que alguém vire as costas a uma cadeira do Supremo espontaneamente”, declarou.

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que deverá assumir o cargo de Barbosa a partir do próximo semestre, disse que não recebeu nenhuma notícia oficial sobre a saída de Joaquim Barbosa da Corte antes do anúncio feito no plenário. A relação entre os dois está estremecida desde o julgamento do mensalão.

A renúncia do cargo de presidente do STF pelo ministro Joaquim Barbosa tomou de surpresa até mesmo os funcionários de seu gabinete. A pedido de Barbosa, sua equipe agendou audiências com a presidente Dilma Rousseff e os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A expectativa era de que ele aproveitasse os encontros para fortalecer o relacionamento institucional. Apenas quando estava no carro oficial a caminho do Palácio do Planalto para se encontrar com Dilma foi que Barbosa comunicou a seu chefe de gabinete e motorista que deixaria o Supremo.

A aposentadoria antes dos 70 anos, limite de idade para integrar o colegiado do Supremo, era esperada desde que o ministro passou por uma cirurgia na coluna em 2013, na Alemanha. Mas a expectativa era de que ele cumprisse o mandato de presidente até novembro, quando deveria transmitir o cargo para o ministro Ricardo Lewandowski, seu principal oponente durante o julgamento do mensalão – há nos bastidores um burburinho de que Barbosa antecipou a saída justamente para não se subordinar a Lewandowski. Pessoas próximas, contudo, dão conta de que o ministro não suporta mais as dores nas costas e esse foi o motivo real de sua renúncia.

Barbosa teria dito para amigos e servidores de seu gabinete que está com 59 anos e doente e que quer “aproveitar a vida”.

Espontâneo

Jogos. Em um momento de rara descontração, durante conversa com a imprensa, Barbosa disse que pretende aproveitar os últimos momentos para assistir aos jogos da Copa do Mundo.

Na internet

Redes Sociais. A repercussão da notícia da aposentadoria de Joaquim Barbosa era grande minutos depois do anúncio do ministro do STF. Até o início da tarde dessa quinta, acumulavam-se 6.840 tweets com “Joaquim Barbosa”, cujo nome emplacou nos Trending Topics assim que circulou a notícia da aposentadoria.

Palavras. STF, Supremo e aposentadoria foram outras palavras muito usadas pelos usuários para comentar a novidade. O próprio perfil do STF no Twitter noticiou, em tempo real, o anúncio de Joaquim Barbosa em plenário.

Legendas. Nos sites dos partidos políticos, lideranças já analisavam a possibilidade de uma eventual candidatura de Joaquim Barbosa. Os partidos se mostraram receptivos ao presidente do Supremo.

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