Teatro Mágico de estética renovada

Banda apresenta amanhã, pela primeira vez em Belo Horizonte, novo show baseado no disco “Grão do Corpo”

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

. Além de criador do grupo, Fernando Anitelli é também vocalista e autor de algumas composições do grupo
luiza prado / divulgação
. Além de criador do grupo, Fernando Anitelli é também vocalista e autor de algumas composições do grupo

Há quase 11 anos, a banda paulista Teatro Mágico surgiu no cenário musical do Brasil acompanhado da atrativa proposta de unir elementos cênicos, literatura e poesia à música, com muita alegria e cores. Nessa linha, lançaram três álbuns de estúdio, “Entrada para Raros” (2003), “Segundo Ato” (2008) e “Sociedade do Espetáculo” (2011). Agora, eles vêm, amanhã, a Belo Horizonte para apresentar, no Chevrolet Hall, o recém-lançado “Grão do Corpo”, que, marca uma nova fase da banda.

“Com uma década de percurso, sentimos que era a hora de fazer algo totalmente diferente do que já havíamos feito”, afirma o vocalista e líder do banda, Fernando Anitelli.

E assim foi feito. O novo trabalho é constituído de temas em torno de questões urbanas atuais e exprimem a importância de cada um dos homens dentro da sociedade – daí o nome “Grão de Corpo”. “O país está vivendo um momento confuso e tenso, tem pessoas sendo linchadas em boates, outras sendo mortas pelas orientação sexual. É importante, nesse momento, relembrar o valor das pessoas”, diz Anitelli.

Orientados pela premissa, o grupo criou músicas de conteúdo político e com ares transgressores, que trilham o caminho entre rock’n’roll e a disco. “Trabalhamos com questões relacionados à mulher, às relações entre as pessoas, além das manifestações que aconteceram em julho do ano passado no Brasil. Tudo isso, por meio de provocações e questionamentos”, diz Anitelli, ao destacar a nova canção “Mãos aos Desolados”.

O escopo desdobrou-se também em modificações estéticas, tão fundamentais e características do Teatro Mágico. “Resolvemos tirar as cores da capa do álbum, as escritas em estilo inspiradas no rococó”, descreve o vocalista. Nesse âmbito, a contribuição do estilista Marcelo Sommer, responsável por criar uma nova identidade lúdica para os integrantes, foi fundamental. “Ele conseguiu traduzir bem o conceito de urbanicidade, misturando as diferenças étnicas ao circo com um corte ‘punk,’ para nosso figurino. O resultado foi muito maduro e ao mesmo tempo doce”, ressalta.

Diferentemente dos últimos álbuns, compostos, em média, por 19 faixas, “Grão do Corpo”, tem apenas 11. Um número pensado para se adequar as shows. “Se lançássemos um álbum com muitas músicas, não sobraria tempo para apresentar os sucessos que nos tornaram conhecidos. O público nos mataria por isso”, brinca Anitelli.

Compartilhamento. Por outro lado, uma marca do grupo continua firme nesta nova fase: a ideia de disponibilizar músicas gratuitamente. Assim, todo o álbum “Grão do Corpo” está disponível para ouvir no site e no canal no Youtube da banda. “O Teatro Mágico tornou-se um símbolo da música livre e independente. Isso não quer dizer que a gente não quer ganhar dinheiro com nosso trabalho. O que acontece é que nenhum músico ganha dinheiro com lançamento de CD já faz muito tempo. Quem ganha com isso são as gravadoras”, opina Antinelli.

Para ele, as músicas compartilhadas são um chamariz para as apresentações, a real fonte de renda das bandas na atualidade. “Quando baixam e compartilham, as pessoas fazem com que essa música se prolifere e é dessa forma conseguimos fazer show com 2.000 mil pessoas cantando todas as letras de nossas músicas, pois não estamos nas rádios ou em novelas. A música livre é um ótimo convite. É nosso cartão de visita”, conclui. Serviço. Teatro Mágico apresenta “Grão do Corpo”. Amanhã, às 22h, no Chevrolet Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). Entrada: R$ 70 (inteira) / R$ 35 (meia)

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