Incêndio é o quinto na empresa

Aterro é licenciado pelo Estado para receber produtos considerados ‘perigosos’, como aerossóis

iG Minas Gerais | dayse resende |

Acidente. Mesmo com explosão de ontem, movimento de caminhões no aterro foi intenso
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Acidente. Mesmo com explosão de ontem, movimento de caminhões no aterro foi intenso

Informações obtidas pela reportagem de O TEMPO junto a funcionários da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Betim, na região metropolitana, dão conta de que a Essencis Soluções Ambientais, empresa controlada pelos grupos Solví e Camargo Corrêa, atua na cidade desde 2001, e que este foi o quinto acidente registrado na unidade ao longo dos últimos anos. A primeira morte na empresa foi de Irismar Pereira dos Santos, 50, na explosão desta quinta. Em Minas, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou que não há ocorrência de acidentes ambientais semelhantes ao do aterro sanitário.

Localizada na BR–381, no KM 499, a Essencis é licenciada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) desde março de 2010 para receber resíduos industriais classe I, denominados “perigosos”, que podem apresentar risco à saúde pública e ao meio ambiente, como borra de tinta, óleos minerais e lubrificantes, resíduos com thinner, graxas ou produtos químicos e aerossol – que pode ter provocado o acidente desta quinta. Conforme o ex-secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Ednard Barbosa, até recentemente, a Essencis recebia resíduos classes II A e II B, considerados “não perigosos”, como materiais orgânicos da indústria alimentícia, da construção civil, papéis e vidros. Ainda de acordo com Barbosa, desde 2012, quando o aterro do Citrolândia, também em Betim, foi fechado pela ex-prefeita Maria do Carmo Lara (PT), o lixo doméstico do município que antes era despejado nele passou a ser depositado na Essencis. Apesar da mudança de classe e do porte do potencial poluidor, motivo pelo qual a licença ambiental teve que ser expedida pelo Estado e não mais pela prefeitura, o ex-secretário acredita que o acidente desta quinta tenha sido uma fatalidade. “A Essencis é referência em depósito de resíduos sólidos. Eles têm um controle muito rigoroso e, por isso, acho que ocorreu uma fatalidade”. Barbosa não descartou a possibilidade de a retroescavadeira, usada por Irismar Santos, ter movimentado o maciço, provocado uma faísca e, em seguida, causado a explosão que o matou. “Não sou técnico, mas pela minha experiência como secretário de meio ambiente, essa pode ser uma das hipóteses”. A Essencis tem unidades em Juiz de Fora, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Outra empresa controlada pelo grupo é a Via Solo, que coleta de lixo urbano em Betim. 

As respostas A empresa. Em nota, a Essencis informou que o incêndio foi controlado e que todas as providências em relação ao incidente serão tomadas. A empresa lamentou a morte de seu funcionário e prometeu dar assistência para a família. A companhia declarou ainda que “qualquer análise técnica neste momento, sem uma real apuração, não tem fundamento, pois todo o processo ainda será avaliado”. Prefeitura e Estado. A Prefeitura de Betim informou que o aterro é de responsabilidade do Estado, mas que enviou técnicos ao local para apurar o caso. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou que a Essencis tem Licença de Operação (LO) até 3 de dezembro de 2016 e que também enviou técnicos ao local para avaliar se a empresa cumpriu as regras da LO. Ainda não há resultado das análises.

Betim paga R$ 54,98 a cada tonelada de resíduo aterrada O ex-secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Ednard Barbosa informou que Betim paga à Essencis R$ 54,98 a cada tonelada de resíduo domiciliar aterrado na área. Ainda segundo Barbosa, além de Betim, a Essencis passou a receber, em 2012, os lixos domésticos das cidades de Mário Campos, Sarzedo, Igarapé e São Joaquim de Bicas. Também em 2012, a empresa ganhou, do Executivo betinense, uma área de mais de 34 hectares com o objetivo de ampliar seus serviços. De acordo com a Lei 5.244 de 2012, que possibilitou a cessão, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) deveria, como contrapartida, oferecer cursos de estudo aos servidores municipais de Betim.

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