Vídeos com emoção são os mais compartilhados na web

Atualizações que carregam teor positivo são as que mais se destacam

iG Minas Gerais | Natalie Kitroeff |

‘First Kiss’. Vídeo de estranhos se beijando conquistou quase nove milhões de visualizações no YouTube em menos de 24 horas
Reprodução/Youtube
‘First Kiss’. Vídeo de estranhos se beijando conquistou quase nove milhões de visualizações no YouTube em menos de 24 horas

Nova York, EUA. O vídeo de um bombeiro ressuscitando um gatinho preso numa casa enfumaçada era ouro puro. Neetzan Zimmerman, então editor do Gawker, site de notícias e fofocas, sabia que aquilo estava destinado à magia viral.  

Porém, antes de publicar um texto a respeito, o editor fez um pedido. Zimmerman deveria incluir o epílogo omitido por quase todos os sites: o bichano morreu por ter inalado fumaça logo após ter sido salvo. Por que um pequeno detalhe triste faria a diferença entre um grande sucesso na internet e o fracasso? O que faz o conteúdo tornar-se viral?

O ato de compartilhar em redes sociais é poderoso o suficiente para derrubar ditaduras e rentável o bastante para merecer investimentos na casa dos bilhões de dólares. Porém, os cientistas só estão começando a explorar as motivações psicológicas que transformam um link em “isca para clicar” e levam determinado conteúdo à fama na internet.

A pesquisa pode ter implicações importantes para a mídia e a publicidade, cujos lucros dependem de ganhar a corrida implacável pela atenção de usuários da internet no mundo inteiro. Noções dos ingredientes dessa alquimia moderna estão começando a surgir.

Se você quiser derreter a internet, aposte na emoção. A resposta emocional pode ser alegre ou triste, mas quanto mais intensa for, maior a probabilidade de a história ser repassada.

Em estudo conduzido por Rosanna Guadagno, psicóloga social da Universidade do Texas, 256 participantes deram preferência a repassar um vídeo engraçado do que a de um homem tratando a picada da própria aranha. Contudo, existe a probabilidade de compartilharem qualquer vídeo que provocasse uma reação emocional intensa, constatou.

De forma similar, Jonah Berger e Katherine Milkman, professores da Wharton School na Universidade da Pensilvânia, descobriram que reportagens edificantes têm maior probabilidade do que as desanimadoras de chegar à lista das mais enviadas por e-mail do “NYT”. Porém, até mesmo matérias evocando raiva ou outras emoções fortes e negativas são enviadas pelos leitores com maior frequência do que as simplesmente depressivas.

“As pessoas compartilham coisas que provocam reações emocionais fortes, principalmente as positivas”, disse Rosanna.

Compartilhar não se resume apenas a como a informação ecoa pelas comunidades; também importa como as emoções são disseminadas. Pouco tempo atrás, analistas do Facebook, Yale e da Universidade da Califórnia, analisaram mais de um bilhão de publicações e concluíram que quando eles desabafavam num dia chuvoso, os amigos em outras cidades publicavam atualizações de status tristes com maior frequência.

Mas as atualizações positivas de status eram ainda mais contagiosas, levando a atualizações otimistas de amigos em índices ainda maiores. A conclusão: na internet, da mesma forma que na vida real, os sentimentos pegam como se fossem gripe.

Antes de ler

Comum. Dados recentemente compilados pela Chartbeat, empresa que mede o tráfego online, afirmam que as pessoas costumam publicar reportagens no Twitter que não chegaram a ler.

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