Encontro marcado com Minas

Aproxima. Com circuito gastronômico em 80 estabelecimentos de Belo Horizonte e feirinha de produtores mineiros no Mercado do Cruzeiro, festival começa na próxima sexta-feira

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Chamar o Aproxima de evento gastronômico é quase uma ofensa para um de seus criadores, o gastrônomo Eduardo Maya. Para ele, trata-se de algo bem maior: é um movimento. O festival começa oficialmente na próxima sexta-feira e, como o nome adianta, consiste em uma tentativa de tornar próximo o que é distante – neste caso, as relações entre produtores, chefs de cozinha e consumidores.

O foco, quase uma obsessão, é Minas Gerais, que Maya chama de “a Toscana brasileira”. “Queremos que comecem a falar do Estado e de seus produtos de uma outra forma, encarando o que é daqui como algo chique, refinado, importante, sem o ‘complexo de vira-lata’”, afirma Maya.

Ele considera o festival uma consequência natural de suas experiências – de pesquisador, à frente da Conspiração Gastronômica, e de organizador de eventos (ele é um dos fundadores do Comida di Buteco, festival do qual se desligou na edição passada).

Anunciada com pompa no fim do ano passado, a programação do Aproxima não vai ser exatamente a que estava planejada. Um dos braços do festival, o megaevento Estação Aproxima, não será realizado neste ano. “Por causa da Copa, optamos por recuar, mas no ano que vem vamos fazer”, diz.

Os outros dois “veículos”, como batizou, estão confirmados: até 10 de julho, o circuito Aproxima, acontece em 80 estabelecimentos na capital, e a Feirinha Aproxima, a partir de 12 de julho, no Mercado Distrital do Cruzeiro.

Os participantes do circuito foram divididos em quatro grupos correspondentes a regiões mineiras (restaurantes, Cerrado; restaurantes da Associação Viva Mesa, Mantiqueira; cafeterias, Rios; quitandas e sanduicherias, Espinhaço). Dentro de cada grupo, serão criados pratos com pelo menos um dos cinco produtos selecionados pela organização (veja mais na arte nesta página).

As regiões não foram pensadas como uma divisão geográfica burocrática, por isso seus limites são difusos. “Essa é uma primeira etapa. Cada área se subdivide em pelo menos mais quatro. Trabalho que será tema de pesquisa para a Conspiração. Nas próximas edições do Aproxima, poderemos rever essa divisão”, diz o organizador.

Produtores. Dentro do projeto, uma das prerrogativas é mudar a relação com produtores. Para isso, cada estabelecimento vai “adotar” um, se aproximando e divulgando seu produto no menu. “O chef que não fala em produtor está completamente defasado. Isso é o que o mundo pensa hoje. Não tem nada mais contemporâneo. Mas nem sempre esse cara lá da fazenda é alcançável, por isso queremos trazê-lo para junto dos chefs, dos restaurantes, para criar esse vínculo”, afirma Maya, lembrando qie o projeto é uma parceria com o Sebrae.

A outra ponta da relação é o consumidor final, que poderá também se aproximar a produtos mineiros nas edições da Feirinha, que começa em julho, mas não vai acabar com o fim do circuito. “Acho que me casei com essa feira, porque ela vai durar para sempre”, brinca Maya.

A ideia é que aos primeiros sábados de cada mês o evento traga ao Mercado do Cruzeiro produtos de todas as regiões do Estado. “Vamos fazer uma celebração, com chefs cozinhando na hora, cervejas artesanais, cachaça. A feira vai durar das 10h às 17h e vai ser uma experiência diferente de tudo o que o belo-horizontino conhece, inspirada das feirinhas do Mistura (o mais importante festival peruano, que colocou Lima no mapa gastronômico mundial)”, explica.

A lista completa de participantes vai ser anunciada somente na próxima segunda-feira, 2, mas o Gastrô traz nesta edição um aperitivo do que vai ser servido.

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