Ronaldo diz que pressão sobre ele na Copa de 1998 é a mesma de Neymar

Usando o atleta do Barcelona como exemplo, o ex-atacante também esclareceu a atuação da empresa de marketing esportivo de que é sócio

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Com 15 gols, Ronaldo é o maior artilheiro de todas as edições do Mundial
Thiago Nogueira
Com 15 gols, Ronaldo é o maior artilheiro de todas as edições do Mundial

SÃO PAULO, SP - Ronaldo era o melhor jogador do planeta pelo segundo ano consecutivo e principal esperança da seleção brasileira, então campeã mundial, que chegou à final da Copa do Mundo de 1998 contra a anfitriã França. Horas antes do jogo decisivo, sofreu uma convulsão. Ele considera que a responsabilidade que carregava naquela ocasião equivale à que pesa sobre Neymar agora para o Mundial em casa.

"A pressão é igual", comparou em sabatina promovida pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (29), em São Paulo. "Copa do Mundo é a maior pressão que um atleta pode ter", acrescentou.

Mas Ronaldo aponta benefícios nesta situação. "Tem que transformar em motivação. Eu fazia isso muito bem", disse.

Usando o atleta do Barcelona como exemplo, o ex-atacante também esclareceu a atuação da empresa de marketing esportivo de que é sócio. "A 9ine não administra carreira de jogador, administra a imagem do jogador. Quem cuida da carreira do Neymar é o pai dele. A gente cuidou, em determinado momento, da imagem dele, junto com o Santos", afirmou.

Garoto-propaganda de uma série de produtos, Ronaldo garantiu que a Copa não será tão rentável para ele.

"Poderia ter sido, mas não é, e está longe de ser", disse, alegando que seus contratos publicitários são todos antigos. "Se alguém quiser [fechar novo contrato], me avise porque estou querendo e precisando".

"A minha opção de entrar no Comitê Organizador (do Mundial) só fez mal a mim", afirmou Ronaldo. "Há dois anos, venho levando porrada que não é minha. Só fiz distribuir para quem merece. Não posso ficar apanhando calado", opinou, explicando suas críticas às obras de infraestrutura da Copa.

APOIO DA TORCIDA

Astro do título mundial de 2002, Ronaldo receitou à torcida brasileira o comportamento dos sul-coreanos naquela competição que co-organizaram junto com os japoneses.

Empurrada pelos torcedores e beneficiada por erros de arbitragem, a seleção da Coreia do Sul realizou sua melhor campanha em Copas, alcançando o quarto lugar.

"Fica a lição para o povo brasileiro executar", avaliou o ex-atacante. "É uma oportunidade única, em casa", disse, lamentando que não seja mais atleta para jogar pela seleção neste Mundial.

Ele elogiou a sintonia ocorrida na Copa das Confederações do ano passado, quando o time de Felipão conquistou o troféu no próprio país.

"A interação entre torcida e jogadores foi fantástica. Aquilo se transforma em força, velocidade, raça [dos jogadores]. É muito bom sentir isso", afirmou. "Mas o público apoiou porque a seleção jogou bola. Várias vezes, a gente já foi vaiado com cinco minutos de partida".

Para ele, a equipe da casa é a mais forte candidata a se sagrar campeã. "Meus favoritos são, nesta ordem, Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha. Acho que dá Brasil e Alemanha na final", palpitou.