Bolsa fecha no vermelho pressionada por ações de bancos e Petrobras

O Ibovespa caiu 0,76%, para 52.239 pontos; volume financeiro movimentado no dia foi de R$ 4,5 bilhões, abaixo da média diária do mês, de R$ 5,9 bilhões

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Atravessando um período de ajuste ao forte ganho dos últimos meses, o Ibovespa -principal índice da Bolsa brasileira- fechou esta quinta-feira (29) no vermelho, pressionado por ações do setor financeiro e da Petrobras.

"Os indicadores econômicos não ajudaram, como o fraco desempenho da economia americana. É natural que o setor bancário sofra mais em um ajuste da Bolsa, já que foi um dos que mais subiram desde o início do ano", diz Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora.

O Ibovespa caiu 0,76%, para 52.239 pontos. O volume financeiro movimentado no dia foi de R$ 4,5 bilhões, abaixo da média diária do mês, de R$ 5,9 bilhões.

Os papéis preferenciais da Petrobras (sem direito a voto) perderam 2,26%, enquanto Itaú Unibanco cedeu 1,51% e o Banco do Brasil, 0,60%. Já o Santander teve desvalorização de 1,31% e as ações preferenciais do Bradesco mostraram baixa de 1,08%.

Os bancos têm apresentado bastante instabilidade por conta das incertezas geradas pelo julgamento sobre as perdas na poupança decorrentes dos planos econômicos das décadas de 1980 e 1990, que foi adiado, novamente, nesta semana.

"É um setor que subiu muito desde março e agora está corrigindo esse avanço", diz Leandro Ruschel, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer. "Historicamente, o STF (Supremo Tribunal Federal) não fica contra os bancos, especialmente quando essa decisão envolve a solvência do sistema bancário brasileiro, já que estamos falando de uma possível indenização bilionária", acrescenta.

Para ele, "se o mercado acreditasse que os bancos fossem ser muito prejudicados pela decisão do STF, os preços estariam bem abaixo do valor atual".

No exterior, as Bolsas americanas subiram mesmo com a notícia de que a economia dos EUA encolheu a uma taxa anual de 1,0% no primeiro trimestre desse ano -pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2011 e refletiu um ritmo muito mais lento de acúmulo de estoques e um deficit comercial maior do que estimado anteriormente. O dado, no entanto, ficou em linha com o esperado pelo mercado.

Outra referência em linha com as previsões de economistas foi a manutenção da taxa básica de juros brasileira, a Selic, na noite desta quarta-feira (28). Com a decisão, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) pôs fim ao ciclo de aperto monetário iniciado em 2013 para conter a escalada dos preços na economia.

As ações da JBS lideraram a ponta negativa do Ibovespa, com perda de 4,19%. A Tyson Foods ofereceu US$ 6,8 bilhões pela Hillshire Brands, superando a oferta feita pela Pilgrim's Pride (subsidiária americana da JBS) nesta semana.

"Isso pode desencadear uma guerra de preços, o que atrasa a conclusão do negócio. Os investidores já contavam com esta operação, mesmo receosos de que isso poderia alavancar ainda mais a empresa brasileira", diz Ruschel.

CÂMBIO

No câmbio, o dia foi de fortalecimento do real em relação ao dólar uma vez que o fraco desempenho da economia americana reforçou a expectativa de operadores de que o Fed (banco central dos EUA) vai demorar para subir os juros naquele país. Além disso, o mercado está otimista de que o BCE (Banco Central Europeu) vai adotar mais estímulos à economia da zona do euro em breve.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 0,81% sobre o real, para R$ 2,219 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,49%, para R$ 2,224.

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