China realiza condenação pública de 55 pessoas em estádio

Três pessoas receberam pena por crimes como "terrorismo violento"; ação atraiu 7.000 pessoas num estádio de futebol na cidade de Yining

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Autoridades locais no oeste da região de Xinjiang da China realizaram uma condenação pública em massa nesta terça-feira (27), determinando sentenças para 55 pessoas.

Três delas receberam pena de mortes por crimes como "terrorismo violento", informou a mídia estatal.

A condenação pública, uma reminiscência da era revolucionária da China, atraiu 7.000 pessoas num estádio de futebol na cidade de Yining.

Fotos mostraram o público nas arquibancadas do estádio e caminhões carregado com prisioneiros em coletes laranja estacionados no campo.

O julgamento em massa ocorreu após um evento similar na semana passada na região, quando 39 pessoas foram condenadas à prisão por acusações de terrorismo.

Depois de uma série de ataques, a China lançou uma operação anti-terrorismo em todo o país, mas que se concentra especialmente em Xinjiang, região da minoria muçulmana uigur. Pequim acusa os islâmicos e os separatistas da região pelos ataques.

Os presos foram condenados por uma série de crimes, incluindo o assassinato intencional, separatismo e liderar ou participar de grupos terroristas, segundo as notícias locais.

A sentença pública deixou claro a determinação do Partido Comunista de combater fortemente o "terrorismo violento, o separatismo e o extremismo religioso", segundo disse o vice-secretário local do Partido Comunista, Li Minghui.

O espetáculo público foi originalmente relatado pela agência de notícias oficial Xinhua, mas links sobre o acontecimento parecem terem sido retirados.

DIREITOS HUMANOS

A organização de direitos humanos Anistia Internacional (AI) condenou nesta quinta (29) o "humilhante julgamento", assinalando que este tipo de espetáculo só exacerbará ainda mais a tensão no local.

"Recentes ataques violentos mostraram que seus responsáveis não respeitam a vida e devem ser julgados, mas a realização de julgamentos expressos não significará justiça para as vítimas, assim como drásticas sentenças em processos injustos só exacerbarão as tensões na região", assinalou a AI.

Segundo o comunicado da ONG, com sede em Londres, todos os sentenciados poderiam ter sido torturados durante sua detenção, e o julgamento, que lembrou os atos de "humilhação pública" da Revolução Cultural, estava mais interessado em causar um efeito dissuasório entre a população do que a penalizar os criminosos, segundo AI.

ATAQUE

A China informou que cinco homens-bomba realizaram um ataque a um mercado de vegetais pela manhã em Urumqi, capital de Xinjiang, nesta quinta-feira (29), matando 39 pessoas e ferindo 94. Foi o segundo ataque em Urumqi em pouco mais de três semanas. No fim de abril, uma bomba explodiu em uma estação de trem e deixou um morto e 79 feridos.

Pequim diz que grupos separatistas em Xinjiang querem formar seu próprio Estado chamado Turquestão Oriental, embora especialistas disputam a influência e o alcance do grupo mais proeminente, o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental.

Alguns exilados e grupos de direitos humanos dizem que a verdadeira causa da instabilidade na região são as políticas repressivas da China, que coloca restrições sobre o Islã e a cultura dos uigures --muçulmanos que falam uma língua turca. Uigures há muito se queixam de discriminação oficial em favor do Han, maioria grupo étnico da China.

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