Doença silenciosa pode levar à cegueira irreversível

Muitas pessoas não fazem ideia, mas podem fazer parte do grupo de risco desta doença sem cura; prevenção é feita com visitas anuais ao oftalmologista para diagnosticar previamente o problema

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

PEDRO SILVEIRA
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Você sabia que um terço da população brasileira, com mais de 16 anos, nunca foi ao oftalmologista? É o que aponta uma pesquisa do Ibope, encomendada pela Sociedade Brasileira de Glaucoma. O dado serve para alertar sobre a única forma de evitar o glaucoma, uma doença que acomete 60 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Só no Brasil, são um milhão de pessoas com a doença, representando 2% da população. Além disso, o glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no planeta (com 15% dos casos), perdendo apenas para a catarata (40%), que apesar de ser mais comum, pode ser revertida. Segundo o oftalmologista Richard Yudi Hida, o glaucoma pode ser definido como uma lesão no nervo óptico, o nervo principal do olho, cuja responsabilidade é a de levar informações visuais até o cérebro, sendo que, tal prejuízo é resultado do aumento na pressão ocular.

“Nos nossos olhos há um fluído claro produzido sem parar, que preenche a parte anterior do olho, chamado de humor aquoso. Ele é produzido atrás da íris e drenado na frente da íris, no ângulo com a córnea. Quando existe uma produção excessiva ou uma dificuldade em drenar o humor aquoso, por alguma razão, existe um represamento desse líquido, aumentando assim, a pressão intraocular. Geralmente, nos casos de glaucoma, essa pressão danifica o nervo óptico de uma forma silenciosa (sem sintomas), podendo levar à cegueira irreversível”, explica. Por ainda não possuir uma cura, Dr. Richard ressalta que a única e a melhor forma de se prevenir da doença é realizando visitas anuais ao oftalmologista, pois é através de exames que será possível diagnosticar previamente o problema e, com isso, evitar maiores danos. “Consultas com o oftalmologista são tão importantes quanto com médicos de outras especialidades, principalmente na questão do glaucoma.

Somente este profissional poderá detectar a doença e analisar a pressão ocular, já que, na maioria dos casos, os pacientes não sentem os sintomas e quando procuram, em fase avançada, já estão com perda do campo visual ou com cegueira total de uma forma irreversível”. Pessoas com antecedentes de glaucoma na família, com mais de 40 anos, afrodescendentes ou asiáticos e diabéticos fazem parte do grupo de risco. Assim, aqueles que se encaixam em uma ou mais categorias devem realizar exames preventivos com maior frequência. O público feminino também deve se preocupar, afinal, 60% dos pacientes com glaucoma no mundo, são mulheres.

Ao todo, são quatro tipos de glaucomas: o de ângulo aberto, ou crônico; de ângulo fechado, ou agudo; congênito e secundário. Apesar de todos corresponderem à mesma doença, cada um possui um tipo de tratamento e cuidado. A forma mais comum que devemos prevenir é o glaucoma de angulo aberto ou glaucoma crônico simples. Dr. Richard explica cada tipo e os respectivos cuidados e tratamentos: Glaucoma de ângulo aberto (crônico) Este é tipo mais comum da doença, representando cerca de 80% dos casos. No início, não apresenta sintomas, até que a pessoa comece a sentir que está perdendo a visão. Um indício é a perda gradual da visão periférica, ou lateral, e se não for tratada, a doença evolui para a cegueira generalizada irreversível.

O glaucoma de ângulo aberto é causado pelo aumento gradual e lento da pressão ocular, e é por esta razão que os pacientes não são capazes de perceber o seu desenvolvimento. Como todas as formas de tratamento para essa doença, o método para este tipo tem o objetivo de diminuir a pressão ocular e, para isso, pode ser feito por meio de uso colírios, que atualmente possuem menos efeitos colaterais.

Há pacientes, ainda, que necessitam de outras formas, como o tratamento a laser (processo para desobstruir a circulação do humor aquoso), ou a cirurgia, cujo procedimento é a abertura de um novo canal para a circulação do fluído. Caso a pessoa siga todos os passos do tratamento corretamente, ela pode controlar a doença e não correr risco de ficar cega. A grande maioria controla apenas com colírios antiglaucomatosos. Glaucoma de ângulo fechado (agudo) Por conta de um aumento súbito da pressão, que geralmente acontece apenas em um dos olhos, o paciente sente dores tão intensas, que pode acompanhar sintomas como náuseas e vômitos. Ao contrário do glaucoma de ângulo aberto, nesta situação o paciente tem a redução da acuidade visual de maneira repentina, bem como tem riscos de ter a perda visual irreversível em apenas algumas horas.

Outros sinais do glaucoma agudo são os olhos vermelhos e a visão de halos coloridos ao redor de pontos brilhantes. Considerado um caso de emergência médica, o tratamento consiste em abaixar urgentemente a pressão dos olhos com colírios, comprimidos ou medicação intravenosa.

Pacientes em situações mais graves devem ser submetidos a uma cirurgia de urgência, chama de iridotomia, que consiste no uso de um laser para a abertura de um novo pertuito na íris, aliviando a pressão. Geralmente, pessoas que já tiveram este tipo de glaucoma em um dos olhos ou que ainda não tiveram, mas correm riscos de tê-lo, devem consultar seu oftalmologista como forma de prevenção. Glaucoma congênito Esta é uma doença rara, que atinge bebês, sendo perceptível nas primeiras semanas ou meses de vida da criança. Os bebês geralmente apresentam irritabilidade e sinais de baixa de visão. Podemos observar também, aumento de um ou dos dois globos oculares e a perda do brilho da córnea. Além disso, o recém-nascido pode ter olhos vermelhos, fotossensibilidade e lacrimejamento excessivo. O tratamento é cirurgico sob anestesia geral. Glaucoma secundário Neste caso, o glaucoma é desenvolvido em consequência de outras doenças. Usualmente, está associado a casos de cirurgias oculares ou cataratas avançadas, lesões nos olhos, certos tipos de tumores, diabetes ou uveíte (um tipo de inflamação ocular). O secundário também pode ser acarretado depois do uso de certos medicamentos, como corticosteróides.  

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