Campanha à mineira

iG Minas Gerais |

Enquanto a eleição presidencial já começa a esquentar, com troca de denúncias e acusações de todos os lados, envolvendo não só os presidenciáveis como também seus apoiadores e eleitores, em Minas Gerais, o ritmo das campanhas para o governo do Estado ainda é lento e longe do eleitor. Os dois principais candidatos – Fernando Pimentel (PT) e Pimenta da Veiga (PSDB) – têm priorizado agendas bem discretas com prefeitos e empresários no interior. Além da limitação da legislação eleitoral, fica evidente também uma estratégia de ambos de evitarem um excesso de exposição em um momento conturbado socialmente no país. Aparições, por agora, na visão das duas campanhas, acrescentariam pouco aos candidatos, e as chances de desgastes são maiores se comparadas ao potencial de crescimento. Essa letargia proposital implica, aparentemente, em um prejuízo mais significativo para o lado tucano, pois Pimenta terá de vencer um desconhecimento de uma parcela maior do eleitorado em um tempo menor e ao mesmo tempo ainda lidar com o indiciamento da Polícia Federal por lavagem de dinheiro. Ele recebeu R$ 300 mil das agências de Marcos Valério, condenado pelo STF por ser considerado o operador do mensalão. E, mesmo alegando ter recebido o dinheiro em troca de uma consultoria prestada em 2003, o inquérito foi instaurado para apurar a denúncia e será explorado pelos adversários durante o período eleitoral. Há quem ainda acredite em uma mudança de rumo na campanha de Pimenta com a sua substituição por um outro candidato – Alberto Pinto Coelho (PP) ou Marcus Pestana. O candidato e o partido já negaram inúmeras vezes, mas a ideia não é totalmente descabida e pode voltar a ganhar força com a divulgação das primeiras pesquisas eleitorais após a confirmação dos nomes de Pimenta e Pimentel. A diferença do petista em relação ao tucano irá variar de um levantamento para o outro, mas em todos espera-se uma dianteira superior a dez pontos percentuais. O clima sonolento da pré-campanha ao governo do Estado também causa estranheza, porque a expectativa era justamente a de um ambiente mais tenso, em razão de, pela primeira vez, desde 2002, o cenário da sucessão estadual ser considerado incerto. E também pelo fato de dois candidatos à Presidência – ambos mineiros – apostarem pesado em seus palanques em Minas para alavancarem os números de votos. Em comum com a campanha presidencial e com as demais disputas país afora, a corrida eleitoral no Estado só se iguala até agora pela ausência de propostas inovadoras e capazes de alterar a realidade regional. Não se vê nada de novo. Ainda sobre as eleições estaduais, a denúncia da oferta de R$ 20 milhões por parte do PSDB para o PMDB é séria e tem de ser apurada. Alguém está mentindo.

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