Desarticulado esquema que sonegou R$ 120 mi

Empresas atacadistas de alimentos e bebidas estão envolvidas

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Crimes. Promotor Fábio Nazareth (no meio) diz que a quadrilha pode responder por quatro crimes
Alex Lanza/MPMG/Divulgação
Crimes. Promotor Fábio Nazareth (no meio) diz que a quadrilha pode responder por quatro crimes

Desarticular esquemas de sonegação fiscal envolvendo empresas atacadistas de alimentos e bebidas em Minas. É este o objetivo das ações da operação Sanguinello, que começou nessa quarta às 5h e é realizada pela Polícia Civil, Secretaria da Fazenda e o Ministério Público de Minas Gerais. Até o momento, as autuações do Fisco mineiro chegaram à casa dos R$ 63 milhões. Entretanto, as estimativas são de prejuízos ainda maiores, podendo superar R$ 120 milhões no Estado.  

Há indícios de que os envolvidos simulavam operações mercantis e vendas fictícias com o objetivo de sonegar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) devido aos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Nessa quarta, três pessoas foram presas em Itaúna, na região Centro-Oeste do Estado. Outras três ainda estão sendo procuradas.

Eires Salomão Barbosa, sócio da Precisão Distribuidora Ltda, com sede em Itaúna e que opera também em Contagem, na região metropolitana de BH, foi preso, acusado de participar do esquema. Além dele, foram presos os “laranjas” Gilvan Inácio e Solange Aparecida Borges. Barbosa é proprietário de mais de dez empresas.

Além de Itaúna, a operação foi realizada em outra cidade da região Centro-Oeste, Divinópolis, e também na capital, Betim e Contagem.

No Espírito Santo, o casal Sandra e Ricardo Cortelletti, que são proprietários da New Red Distribuidora, com sede em Vila Velha, foram presos em casa também acusados de participarem da quadrilha.

O promotor de Justiça Fábio Reis Nazareth, durante coletiva na tarde dessa quarta, em Belo Horizonte, explicou que foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em empresas e residências e nove mandados de prisão temporária.

De acordo com ele, o grupo pode responder por crime tributário, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica. A pena para esses crimes é de, pelo menos, 20 anos de reclusão.

O promotor contou que as investigações remontam à operação Concorrência Leal, realizada em dezembro do ano passado. Dados obtidos pelo Fisco do Estado e mais denúncias de concorrentes das empresas envolvidas na sonegação fiscal ajudaram nas investigações, que continuam.

Acusada

Porte. A New Red, mentora do esquema para reduzir ou suprimir ICMS, é considerada uma das maiores empresas de distribuição de produtos alimentícios e bebidas quentes do país.

Quadrilha usava nota fria e laranjas O esquema de sonegação fiscal envolve empresas de Minas Gerais e Espírito Santo. O superintendente da Receita Estadual, Anderson Félix, explica que a importadora de bebidas, New Red, sediada em Vila Velha (ES), emitia documentos fiscais para acobertar a venda de mercadorias para o Distrito Federal e alguns Estados. Os produtos eram descarregados em Minas, em empresas localizadas na Ceasa, reais beneficiárias – como é o caso da Precisão. Para justificar a entrada da mercadoria, os verdadeiros destinatários usavam notas fiscais emitidas por empresas fictícias (laranjas), a maioria delas sediadas em Itaúna.

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