CPI mista já nasce governista

Presidente, vice e relator são da base de Dilma Rousseff; dos 32 membros, dez são da oposição

iG Minas Gerais |

Derrota. Apesar da presença em peso, oposição foi derrotada no voto para compor cúpula da CPI mista
GUSTAVO LIMA
Derrota. Apesar da presença em peso, oposição foi derrotada no voto para compor cúpula da CPI mista

Brasília. O Congresso instalou na tarde dessa quarta a CPI mista da Petrobras (com deputados e senadores) que vai investigar denúncias de irregularidades na estatal. Ao contrário da comissão de inquérito instalada no Senado, que sofre boicote da oposição, a mista tem apoio de congressistas do DEM e do PSDB, que compareceram em peso à primeira sessão.  

Pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) assumiu temporariamente a liderança do partido no Senado para poder participar da instalação da CPI e eleger o seu comando. A oposição tentou escolher senadores “independentes” para o colegiado investigativo, mas aliados da presidente Dilma Rousseff conseguiram emplacar o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) como presidente da comissão por 19 votos a dez. Agora, Rêgo vai acumular a função com a de presidente da CPI da Petrobras no Senado.

A oposição lançou a chapa dos deputados Enio Bacci (PDT-RS) e Fernando Francischini (PSDB-PR) para a presidência e vice-presidência da CPI, mas as indicações foram rejeitadas pela maioria governista. O senador Gim Argello (PTB-DF) foi eleito vice-presidente, com 18 votos contra 11. O deputado Marco Maia (PT-RS), ex-presidente da Câmara, foi designado relator do grupo. Maia também mantém postura alinhada com o Palácio do Planalto e foi relator da CPI do Apagão Aéreo, em 2007.

Ao contrário do que afirmam congressistas do PSDB e do DEM, os aliados de Dilma sustentam que não é tradição do Congresso dividir o comando de CPIs com a oposição. Dos 32 membros titulares da comissão, apenas dez são de partidos oposicionistas – embora três deputados do PMDB sejam considerados de postura mais “independente”, como o líder do partido, Eduardo Cunha (RJ).

Integrante mais idoso da CPI, o senador João Alberto (PMDB-MA) presidiu a primeira sessão da comissão de inquérito. Com a escolha do presidente, a CPI pode começar os trabalhos de investigação da estatal.

Estratégia. Mesmo com maioria governista, a oposição aposta nas dissidências para tentar convocar os principais personagens envolvidos nas denúncias contra a estatal. Aécio apresentou um “plano de trabalho” à comissão. O PSDB defende as convocações do ex-diretor de abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Youssef – pivô da Operação Lava Jato – e do ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

Os oposicionistas também querem a quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal dos três, assim como do ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli e das empresas que têm relação com Youssef.

Vargas quer Youssef como testemunha O deputado André Vargas (sem partido-PR), incluiu o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, como testemunha de defesa no processo por quebra de decoro parlamentar que corre contra ele no Conselho de Ética. Na defesa entregue nessa quarta ao Conselho de Ética da Câmara, Vargas apresenta oito testemunhas. O deputado também solicitou que o processo siga em sigilo. O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PSD-SP), disse que irá indeferir o pedido. Investigações

Linhas. A CPI vai investigar quatro temas que têm ligação com a Petrobras: a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA; a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco; a relação da estatal com a empresa belga SBM Offshore; e o uso de plataformas de petróleo inadequadas em alto mar. Recesso. Líder do DEM, o deputado Mendonça Filho (PE) defendeu a suspensão do recesso parlamentar de julho para que a CPI não interrompa seu funcionamento.

Copa. Antes das férias, contudo, os parlamentares terão outro período de “descanso” que pode afetar os trabalhos da CPI. Durante os 32 dias de Copa do Mundo no Brasil, haverá expediente no Congresso em apenas seis.

Relator

Promessa. Relator da CPI mista da Petrobras, o deputado Marco Maia se comprometeu a “ouvir muito” durante os trabalhos, investigar e produzir um relatório “à altura” do Congresso Nacional.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave