Fernando Lucchesi recria objetos em grande instalação

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Artista repagina móveis e utilitários em sua mais recente mostra
Daniel Mansur
Artista repagina móveis e utilitários em sua mais recente mostra

Durante o lançamento do livro “O Finito e O Infinito”, a ser realizado hoje na galeria Dotart, Fernando Lucchesi também apresenta sua mais recente instalação, que resume parte do seu trabalho tanto na vertente escultórica quanto no segmento da pintura.

De proporção monumental, o artista diz que levou para o ambiente apenas um terço de toda a obra composta por móveis e utilitários repaginados em relação a sua forma e cor. “Eu peguei alguns móveis, fiz algumas intervenções sobre eles e apliquei sobre tudo um tipo de pintura azul com algumas formas geométricas, como triângulos e meias-luas”, antecipa Lucchesi.

O pigmento se tornou uma própria memória dentro da universo de criações do artista. Ele recorda que o utiliza desde o início da carreira, quando a falta de recursos o fez comprar um material mais barato que as tintas disponíveis.

“Naquela época eu usava o pó Xadrez, cujas cores disponíveis eram o azul, a amarelo, o vermelho e o verde. Mais tarde, quando comecei a ganhar algum dinheiro com arte, procurei algumas tintas importadas. Mas não achei que elas me proporcionavam o mesmo efeito e preferi comprar o mesmo material que escolhi primeiramente, mais por condições de precariedade do que de estilo”, diz o artista.

A ideia, de acordo com ele, é fazer com que a instalação dialogue com as obras mostradas no livro “O Finito e O Infinito”. Ao revisitar diferentes etapas de sua trajetória, ele observa como os dois projetos se complementam na tentativa de contemplar um longo percurso que teve início a partir da década de 1970.

Ele lembra que até 1977 trabalhou como desenhista técnico. Insatisfeito com essa rotina, procurou trabalho no Palácio das Artes, onde começou a atuar como montador de exposições ao lado de Márcio Sampaio. “Ali eu comecei a ter contato com vários artistas e criei um ateliê onde iniciei a experiência de alguns trabalhos. Naquela época, o espaço funcionava de maneira muito diferente dos dias de hoje, a programação não era tão frequente”, diz.

Dentre os artistas dos quais se aproximou naquele contexto, ele ressalta Amilcar de Castro, Benjamim, e Celso Renato. Com cada um desses Lucchesi desenvolveu uma relação, sobretudo, de amizade. “Amilcar foi para mim um colega. Eu era bastante novo naquela época e ele me ensinou a beber. Depois, durante três anos trabalhamos juntos no projeto de uma escola de artes em Contagem e montamos juntos um ateliê. Nós nunca tivemos uma relação de aluno e mestre. Isso eu quis deixar claro desde o início”, sublinha..

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