Finito e infinito em Lucchesi

Artista plástico Fernando Lucchesi tem livro sobre sua obra lançado hoje, assim como exposição na galeria Dotart

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

No campo dos objetos, destacam-se as peças batizadas “Oratórios”
Daniel Mansur
No campo dos objetos, destacam-se as peças batizadas “Oratórios”

A partir de 2013, Fernando Lucchesi começou a fazer contato com colecionadores e pediu para fotografar trabalhos que havia produzido desde a década de 1980. O reencontro com aquelas criações resulta no livro “O Finito e o Infinito”, que será lançado hoje na galeria Dotart, onde o artista também apresenta sua mais recente instalação.

De acordo com ele, parte desse acervo nunca foi exposto ao público, o que considera uma oportunidade interessante para revisitar a sua trajetória nas artes visuais. Lucchesi afirma inclusive ter se esquecido de algumas peças e diante do que concebeu no passado, às vezes, o sentimento foi de espanto.

“Eu desconfio se em alguns momentos eu tinha noção do que estava fazendo. Acho que as minhas obras sempre nasceram de uma necessidade física que me impulsiona a produzir. O fato de eu ser autodidata, sem ter frequentando cursos nem universidade durante a minha vida, também contribui para eu ter esse olhar. Para mim, algumas coisas realmente não tem explicação”, revela Fernando Lucchesi.

Com textos do crítico Walter Sebastião, o título produzido pela editora C/Arte abarca várias facetas de sua carreira. Além das pinturas, estão ali presentes desenhos, gravuras, instalações e objetos. Para ele, esta é a publicação mais completa desde o livro “Fernando Lucchesi”, lançado em 2000 pela mesma editora e organizado por Aracy Amaral.

“Eu achei que estava na hora de fazer outro livro. Há um certo exibicionismo nessa postura de querer mostrar a trajetória toda, mas isso é também o reflexo dessa busca por sempre querer fazer mais. Parece que um trabalho que começamos nunca está pronto. Então o livro anterior já não era mais suficiente e talvez daqui a algum tempo eu queira fazer outro. Depois eu me recordei de mais colecionadores e vi que várias peças ficaram de fora”, observa Lucchesi.

Fases. Suas pinturas das séries “Fachadas”, “Africanas” e “Linhas” aparecem em destaque. O motivo para ele é simples: todas, de alguma maneira, sintetizam a atenção com aspectos visuais que o levaram a fixar aquelas formas em telas ao longo dos anos. “As obras do conjunto ‘Fachadas’ nasceram dessa observação de linhas que ali se apresentam por meio de uma paisagem urbana”.

As outras duas vertentes mantêm um diálogo com a coleção primeira ao ponto de Luchesi sugerir que se considera um artista de um quadro só. “Parece que eu mantive uma impressão visual na mente que depois fui multiplicando continuamente”, observa. Muito crítico consigo mesmo, ele não se refere a uma possível repetição monótona, mas sim à maneira como um tema se torna recorrente e segue uma caminho, que vai da figuração até a abstração.

“Há um movimento que eu percebo nessas pinturas. Elas ora seguem numa direção que parece movida pela busca por uma maior simplicidade e limpeza, ora por uma tendência à acumulação”, completa Lucchesi.

A publicação perpassa diversas linguagens do artista – conhecido justamente pelo caráter inquieto – , as quais em comum Lucchesi afirma lidar guiado bastante pela intuição. Isso não significa que as obras sejam desdobramentos apenas de impressões talvez consideradas superficiais.

Embora não tenha feito uma graduação, ele buscou conhecimento por meio de pesquisas realizadas por conta própria. Adquiriu desde livros de arte a exemplares de poesia e diz que hoje tem um boa biblioteca em casa.

“Um referência importante para mim foi Paul Klee. Comprei os livros dele e já viajei para ver suas obras ao vivo. Eu sempre fui muito curioso e tudo que gostava de saber procurei sozinho”, afirma.

Em relação aos objetos, há ainda traços que os aproximam em algumas qualidades ds pinturas, especialmente quando se identifica a recorrência de contornos geométricos, como acontece na série “Oratórios”.

“Já foi dito que a arte nos ajuda a organizar o caos que temos instalado dentro da gente. Não sei dizer porque a geometria aparece assim no meu trabalho, mas sei que nas minhas criações eu tento apaziguar um pouco dessa confusão interna que encontro em mim”, avalia.

Agenda

O quê. Lançamento do livro “O Finito e o Infinito”, de Fernando Lucchesi e abertura de mostra com instalação do artista

Quando. Hoje, às 19h; visitação até 28/6, de 2ª a 6ª, das 9h às 19h; sáb, das 9h às 13h

Onde. Galeria Dotart (rua Bernardo Guimarães, 911, conj. 20, Funcionários)

Quanto. Entrada franca

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