Futebol, dinheiro, poder e a farinhada do mesmo saco!

iG Minas Gerais |

Em novembro de 2011 Ricardo Teixeira começava a despencar do seu trono na CBF e levou o ex-centroavante Ronaldo, junto com o também campeão da Copa de 1994, Bebeto, para melhorar a imagem do Comitê Local da Copa e de quebra tentar uma aproximação com o governo Dilma. Ronaldo é desses ex-jogadores que não dá uma palavra e não faz nada se não houver algum forte interesse pessoal e financeiro na jogada. Com a maior “sinceridade” do mundo, começou na função bajulando tudo e a todos. Para quem o conhecia desde o princípio da carreira, a credibilidade dele sempre se resumiu à bola nos pés, onde era realmente fenomenal. Vira casaca Porém, na última sexta-feira, o grande público passou a conhecer melhor Ronaldo, quando o jornal “El País”, da Espanha, publicou: “O ex-jogador Ronaldo Nazário, que evitava criticar a organização do Mundial no Brasil, mudou de discurso. Em entrevista à agência Reuters nesta sexta-feira, ele afirmou que se sente envergonhado pela “incapacidade” do país em completar a infraestrutura prometida para a realização da Copa do Mundo, que começa em exatos 19 dias.” Certamente alguém não cumpriu algum acordo feito com ele: os sucessores do Ricardo Teixeira e/ou a turma da Dilma. Mundo estranho Para completar, na terça-feira, dia 27, a filha de Ricardo Teixeira, Joana, neta de João Havelange, plantada no mesmo Comitê Local ao qual pertence Ronaldo, foi para uma rede social dizer que agora não é mais hora de protestar, porque o que tinha de ser roubado já foi! Vixe! Como dizia o saudoso deputado Renato Azeredo: “Vaca está estranhando bezerro; bezerro está estranhando vaca!”. O que é isso, Coelho? A primeira estranheza foi logo na entrada em campo com um uniforme que parecia o Coritiba com a tradicional camisa com duas listras horizontais no peito. Ridícula essa mudança exagerada nos uniformes dos times brasileiros. Tudo em nome do dinheiro, por ordem das fornecedoras de material esportivo que exigem essas trocas constantes para vender mais camisas. Salto alto? Como diz o radialista José Luiz Gontijo, o “futebol comercial” fatura em cima dos “inocentes”, que compram tudo que envolve o clube do coração. Com a bola rolando, tudo bem que o América perderia um dia, mas do jeito que foi no Serra Dourada? Contra um dos piores times da competição até agora, o Atlético-GO, e levar três gols inacreditáveis daquele jeito?

Um belo Livro Fala de um grande personagem e foi escrito por um ótimo jornalista: “O Príncipe – A Real História de Dirceu Lopes”. A vida de um dos maiores camisas 10 do futebol mundial contada pelo ótimo texto e apuração detalhada de Pedro Blank, que foi nosso colega no jornal O TEMPO. Na dia 4, quarta-feira, a partir das 18h30, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Editora Asa de Papel, 344 páginas; R$ 39,90. O próprio Pedro Blank nos adiantou alguma coisa sobre a obra: “O livro é recheado de histórias dos anos de ouro do futebol brasileiro e, em particular, do Cruzeiro. Começamos com a história de Tito, como reza a lenda, um supercraque que arrebentava com a camisa do Retiro, de Nova Lima, e, posteriormente, do Esporte, de Pedro Leopoldo – só equipes amadoras, pois não havia profissionalismo naquele tempo. O amor pela bola passou para o filho...”

Mais histórias Continua o Blank: “... Lembramos do Dirceu em Pedro Leopoldo. Como curiosidade, nos campinhos de pelada da cidade, ele só sabia chutar de direita. Aí, um belo dia, arrebentou o pé direito numa pedra que tava escondida na lama de um campo. Não aguentava pisar. Mas, como criança pobre só tem a bola de lazer, só driblava e chutava com a esquerda. Anos mais tarde, o mundo descobriria aquela habilidade fora do comum com as duas pernas – foi lapidado na várzea, que, infelizmente, acabou. O futebol era tão diferente, mas tão diferente que Dirceu foi o primeiro jogador das categorias de base do Cruzeiro que não morava em Belo horizonte. Dormia na concentração do Santo Agostinho, onde faltavam camas, e o técnico Airton Moreira mais tarde dormiria em cima da mesa de sinuca por falta de lugar para dormir...”

Furtado contra o Vasco Prossegue o autor do livro: “... Relembramos a polêmica da decisão de 74, quando o bandeirinha Oscar Scolfaro falou, na hora de ir embora do Maracanã: “Baixinho, essa não tinha jeito”. Ou seja, o Vasco contou com a ajuda deslavada de Armando Marques. Contamos os bastidores de 70 e como o Dirceu foi cortado por pressão clara dos militares (leia-se Médici). Ele e Toninho Guerreiro, do Santos, foram duas vítimas daquele tempo de chumbo na seleção (se inventaram uma sinusite para justificar o corte do Toninho, sequer tiveram esse trabalho com o Dirceu). O Tostão falou que o Dirceu não precisava fazer nada, a não ser jogar bola. De esquemas táticos, ele, Piazza e outros davam conta. O Tostão sustenta que Dirceu Lopes nasceu para “jogar livre feito um passarinho”.”

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave