Usiminas e Mercedes demitem em Ipatinga e em Juiz de Fora

Siderúrgica teria demitido mais de 2.000 pessoas; montadora corta 120 vagas e dá férias coletivas

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Em baixa. Desaquecimento do setor de máquinas e equipamentos prejudica subsidiária da Usiminas
Marcelo Coelho
Em baixa. Desaquecimento do setor de máquinas e equipamentos prejudica subsidiária da Usiminas

Na próxima terça-feira, o Ministério Público do Trabalho (MPT) vai se reunir com a Usiminas Mecânica, subsidiária da Usiminas, e com o Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), para discutir as demissões na empresa nos últimos anos. De acordo com uma fonte que preferiu não se identificar, seriam 2.000 demissões no grupo Usiminas desde 2012. O MPT não confirma o número, mas diz que a reunião vai buscar mapear a “real situação” e mediar um acordo entre as partes.

A empresa também não confirma o número, mas diz que a redução de pessoal está ligada à queda de investimentos em bens de capital no país. Em nota, a Usiminas Mecânica afirma que está se reorganizando para preservar sua competitividade quando o cenário estiver mais favorável. A reunião acontecerá em Coronel Fabriciano. A siderúrgica não é a única grande empresa instalada em Minas a passar por uma crise. Na última segunda-feira, a Mercedes Benz comunicou aos trabalhadores da fábrica de Juiz de Fora, na Zona da Mata, que fará uma paralisação de 52 dias. A medida é mais uma da série que vem sendo adotada pela montadora para reduzir a produção na unidade mineira. Em abril, pelo menos metade dos empregados esteve de férias coletivas. Nos dois primeiros dias após o retorno, houve 20 demissões, que se somaram a outras 110 que foram feitas desde setembro do ano passado, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora. Além das demissões, a empresa adotou uma semana curta, com expediente de segunda a quinta-feira. A Mercedes não confirma o anúncio da paralisação e diz que ainda estuda uma maneira de adaptar a produção à demanda. A unidade da Zona da Mata mineira produz caminhões, cujo mercado passa por retração. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no primeiro quadrimestre deste ano forma produzidos 40.373 caminhões no país, volume 14,7% inferior ao mesmo período do ano passado. Negociação. Nessa quarta, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora, João César da Silva, esteve em Brasília para discutir a situação dos trabalhadores com parlamentares. A entidade alega que a montadora recebeu incentivos fiscais quando se instalou na cidade e não cumpre os compromissos de geração de emprego. Atualmente, entre 800 e 900 pessoas trabalham na planta. Durante as férias coletivas e a paralisação da fábrica, os trabalhadores recebem os salários normalmente, mas o sindicato busca uma solução definitiva, que traga segurança aos metalúrgicos.

Países tentam novo acordo Buenos Aires, Argentina. Brasil e Argentina tentam avançar nas negociações sobre um acordo-tampão automotivo de um ano de duração. Esse acordo temporário regularia o comércio de veículos entre os dois países enquanto o Brasil e a Argentina discutirão o novo regime automotivo, de duração de cinco anos. As reuniões estavam previstas para 2012, mas foram adiadas.

Crise 2.000 empregados teriam sido demitidos pela Usiminas

130 é o número de demissões da Mercedes desde setembro

52 dias será o período de paralisação da montadora

Produção 14,7% foi a queda na produção de caminhões de janeiro a abril

14,5% foi a queda no faturamento do setor de máquinas

0,6% foi a queda de empregos em abril, segundo a Abimaq

 

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