Justiça nega pedido de anulação do júri de estudante de direito

Após ser condenado a 44 anos por envolvimento na morte de dois empresários, o estudante apelou pedindo um novo julgamento

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Arlindo responde por homicídio qualificado, formação de quadrilha, extorsão e ocultação de cadáver
ALEX DE JESUS 10/09/2010
Arlindo responde por homicídio qualificado, formação de quadrilha, extorsão e ocultação de cadáver

A Justiça negou provimento à apelação criminal que pedia anulação do júri que condenou a 44 anos de prisão o estudante de direito Arlindo Soares Lobo, de 36 anos, que é um dos oito acusados de torturar e matar dois empresários em abril de 2010, no bairro Sion, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, no caso que ficou conhecido como Bando da Degola. A informação é do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). 

Os desembargadores da 4ª Câmara Criminal do TJMG mantiveram a condenação do estudante pelo 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette. O julgamento aconteceu em julho do ano passado, quando Lobo foi condenado a 30 anos por homicídio triplamente qualificado, 9 anos por extorsão, 3 por destruição e ocultação de cadáver e outros 2 anos por formação de quadrilha, totalizando os 44 anos de prisão. 

Ainda segundo o TJMG, o estudante de direito apelou pedindo a anulação do júri e requerendo um novo julgamento, sob alegação de que a decisão foi contrária às provas dos autos. Além disso, a apelação ainda determinava que, caso os desembargadores não decidissem pela anulação do júri, o réu gostaria de uma redução das penas. Lobo alega que não participou dos assassinatos e que seu envolvimento nos crimes se deu sob coação.

O desembargador Eduardo Brum, relator do recurso, afirmou em seu voto que “não há dúvida de que ele participou efetivamente de todos os crimes pelos quais acabou condenado na primeira instância”. Ainda de acordo com o relator, mesmo que ele atribua suas ações à coação de Frederico Flores, que era o líder da quadrilha, “sua versão foi confrontada categoricamente pela ampla prova testemunhal”. Arlindo Soares Lobo está preso preventivamente desde o dia 8 de junho de 2010 e, atualmente, está no presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte.

Relembre o caso

Os envolvidos no caso foram pronunciados em dezembro de 2010 pela juíza Maria Luíza de Andrade Rangel Pires, do 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte. Frederico Flores está preso suspeito de chefiar um bando que matou os sócios Rayder Rodrigues e Fabiano Moura. Os dois estariam envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro e fornecimento de notas fiscais frias, e foram ameaçados por Flores antes de morrerem. Um dia depois do duplo homicídio, os corpos foram localizados queimados em uma mata de Nova Lima, na região metropolitana. As cabeças e os dedos das vítimas continuam desaparecidos.