Despretensioso, Linea evolui e agrada no uso cotidiano

Após reposicionamento no mercado e mudanças estéticas, sedã da Fiat se destaca pelo conforto e bom comportamento

iG Minas Gerais | Felipe Boutros |

Sedã passou por um face-lift, adotou no interior o mesmo painel do Punto e introduziu novos revestimentos e recursos
Alexandre Carneiro
Sedã passou por um face-lift, adotou no interior o mesmo painel do Punto e introduziu novos revestimentos e recursos

Durante o lançamento do novo Linea, executivos da Fiat fizeram mea-culpa ao admitir que erraram na estratégia comercial do sedã. Mas águas passadas não movem moinho, e agora o modelo ganha uma nova chance no mercado, reposicionado para não encarar diretamente os badalados sedãs médios, embalado por um visual renovado.

As alterações foram discretas. A frente ganhou novos para-choque e grade. Atrás, a placa subiu para a tampa do porta-malas e o espaço dela – antes posicionada no para-choque – foi coberto por um aplique. Rodas com novo desenho completam o pacote. Funcionou? Se a ideia era trazer um ar de novidade para o Linea, pode-se dizer que sim.

Por dentro, as mudanças deram um toque mais sofisticado ao modelo. A unidade avaliada combinava acabamento em couro bege e material emborrachado, bem-encaixados. Há detalhes interessantes, como um friso iluminado no painel, que transmite sofisticação e remete a modelos mais caros. A ergonomia também é destaque, com os principais comandos à mão, volante com boa pegada e controles do som e do bluetooth integrados.

O motor é o 1.8 16V, que rende 130/132 cv com gasolina e etanol a 5.250 rpm, com torque de 18,4/18,9 kgfm a 4.500 rpm, que garante bom desempenho ao Linea, apesar do pouco torque em baixa rotação, o que prejudica retomadas. O câmbio, na unidade testada, era manual de cinco velocidades, com engates relativamente precisos, porém com o curso da alavanca longo. Há opção de equipar o sedã com o câmbio automatizado Dualogic.

No fim da avaliação, o computador apontou a razoável média de 8,9 km/l na cidade, com gasolina no tanque. Na estrada, a média foi de 12,2 km/l, com o mesmo combustível. O consumo do modelo não foi avaliado pelo Inmetro.

Dinâmica

O comportamento dinâmico do modelo também merece ser elogiado, com boas respostas, neutro, e sempre transmitindo segurança. A suspensão tem o “arranjo clássico”, com McPherson na dianteira e barra de torção na traseira. Merece elogios também o isolamento acústico. O espaço interno, principalmente diante da concorrência, é o calcanhar de aquiles do Linea. Para os ocupantes da frente, ele é ok, até confortável. Atrás, apenas dois adultos vão sem passar aperto, mas sem sobras também. Ali, os mais altos também têm o inconveniente de raspar a cabeça no teto. O porta-malas é bom, com 500 l de capacidade e utilização de alças pantográficas, um dos poucos hoje no mercado que ostentam esse item.

Mercado

A versão inicial Essence do Linea tem preço a partir de R$ 55.850 e chega bem completa, com ar, direção, trio, faróis de neblina, rodas de liga leve aro 15, controle de cruzeiro e volante multifuncional, entre outros. O top Absolute, que sai a R$ 66.450, adiciona ar automático, câmbio automatizado com trocas no volante, rodas de liga leve aro 17 e sensor de estacionamento. Ficam na lista de opcionais do Absolute sensores de chuva e luminosidade, airbag laterais e de cortina, retrovisor eletrocrômico, navegador integrado ao quadro de instrumentos e som hi-fi com subwoofer. Completo, o preço pula para R$ 72.121.

Estes valores colocam o Linea ligeiramente abaixo dos sedãs médios, mas como uma opção intermediária entre eles e os compactos. O concorrente mais direto é o Honda City, que na versão básica DX, com transmissão manual, custa R$ 50.990. O rival japonês é bem menos potente, mas oferece como opção um câmbio automático de cinco marchas, superior ao Dualogic. Porém, devido à faixa de preço, o modelo italiano acaba disputando mercado também com os compactos premium, como Chevrolet Sonic e Ford New Fiesta, que custam, em suas versões de entrada, R$ 49.496 e R$ 53.190, respectivamente. Nesse caso, o sedã da Fiat leva vantagem em espaço interno e desempenho.

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