Matriz do século XIX, em Jequitibá, corre risco de desabar

Igreja está interdita há quase dois anos e meio; prefeitura colocou escoras para manter a estrutura em pé; restauração foi orçada em R$ 2,5 milhões

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

Matriz
Vicente Ranieri/Webrepórter
Matriz "grita por socorro", afirma população em cartaz.

O principal cartão postal e patrimônio cultural e histórico da pequena Jequitibá, na região Central de Minas Gerais, a matriz do Santíssimo Sacramento, está interditada com suspeita de desmoronamento há quase dois anos e meio.

O patrimônio que é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), foi construído em meados do século XIX, no centro do município, e precisa passar por restauração arquitetônica e conservação dos elementos artísticos integrados. Contudo, o processo burocrático para a liberação do projeto para liberação das obras é lento. Depois dessa etapa, o órgão estima que o trabalho de reparo deve levar pelo menos um ano e meio para que fique pronto. A reforma está orçado em R$ 2.500.000.

“Há um deslocamento de uma das paredes e está puxando um pouco o telhado. Foram colocadas escoras de madeira para manter a estrutura em pé. O Iepha contratou uma empresa para fazer o projeto executivo, o levantamento do que seria necessário para restaurra a igreja. Só que até o momento, não entregou o projeto e só após que o Estado vai estudar a possibilidade da restauração da igreja. Tanto a paróquia quanto o município não têm o que fazer, porque a matriz está sob a guarda do Iepha”, justificou o prefeito Humberto Reis.

Enquanto o templo não pode ser usado pelos 5.156 habitantes, as missas para os cerca de 3.000 católicos, têm sido realizada nas ruas, nas casa e nas praças, segundo o padre Evandro Bastos. “Para a comunidade têm sido complicado. Agora, estão previstas duas novas ações: uma exposição das nossas peças sacras, que vai acontecer na casa paroquial e a caminhada em defesa da história. São 16 povoados que vão sair em caminhada trazendo essa memória viva no Corpus Christi”, anunciou. Comunidade também realizou um abraço simbólico na matriz e criou um abaixo-assinado, que já conta com cerca de 1.000 assinaturas. Os objetos da igreja estão mantidos na Capela de Nossa Senhora do Rosário.

A urgência e preocupação do pároco e da população quanto à restauração é para que a situação da matriz não piore. A última obra de reforma da matriz foi na década de 80, após uma enchente que atingiu a cidade. Segundo o Iepha, foi feita recuperação completa do monumento com intervenções no telhado, paredes e fundação, na época. “Por sua beleza, simplicidade e referência da fé de todo um povo, a cidade esta inteiramente ligada a este patrimônio e também seus visitantes”, lembrou o morador da cidade e publicitário Vicente Ranieri.

Segundo a assessoria do Iepha, é necessária a construção do projeto, para que se consiga chegar na restauração de fato. “A igreja em questão apresenta o agravante de problemas estruturais que demandam maior cuidado e consequentemente dispêndio de tempo para elaboração de projeto estrutural que seja exequível, permitindo assim sua estabilização estrutural”, alegou o órgão.  

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