A hora é de as elites assumirem suas responsabilidades com o país

iG Minas Gerais |

DUKE
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Uma avaliação sobre as elites no Brasil deve partir do pressuposto básico de que existem várias elites, ao contrário do que o pensamento da esquerda tacanha – que se distingue da esquerda esclarecida – tenta fazer crer. A direita, por se considerar parte da elite, não faz grandes reflexões sobre o tema. Pensa que existem dois lados: o de cá e o de lá. É igualmente idiota. Voltando ao ponto, existem várias elites, que, por delegação, oportunismo ou usurpação, assumem esse papel. Por exemplo, os banqueiros são uma elite, e isso qualquer asno sabe. Os líderes sindicais, que podem ser líderes sem trabalhar, mas mantendo o salário, também são uma elite. O que faz alguém ser da elite – ou melhor, de uma das elites – é a capacidade de influenciar o destino de seu grupo e, de certa forma, o da nação. Os líderes sindicais do Brasil influenciam as políticas industriais, que mantêm parcos benefícios para a venda de veículos no país. Como diria Bruce Hornsby, “that’s the way it is”. Elites são elites, e são elas que conduzem o país. Idealmente, dentro dos marcos democráticos que, lentamente, estamos construindo. Quando as elites perdem o controle, novas elites aparecem. Quando funcionam mal, os problemas ficam mais evidentes. O fenômeno “lulista” foi marcado por uma ampla coalizão de interesses elitistas, o que não significa que isso seja, necessariamente, um mal. Lula, por conta de sua imensa habilidade, conseguiu colocar a seu lado todas as elites relevantes para poder comandar o país. Todas. Inclusive a mídia, que, no limite, o poupou no auge do mensalão. A coalizão das elites elegeu a presidente Dilma Rousseff, que, no início de sua gestão, teve o maior índice de confiança que um chefe de Estado obteve no Trust Barometer da Edelman: mais de 80%. Em sua 14ª edição, o Trust Barometer mediu a confiança de 33 mil brasileiros nas instituições. De lá para cá, por conta de um saco de erros e confusões, a confiança despencou para menos de 35%. Com as elites rachadas, a situação do governo é difícil. Só não é pior porque a oposição é lenta para reagir e pouco criativa ao tentar gerar problemas para o governo. Na falta de uma oposição mais imaginativa, o governo se encarrega de atirar no próprio pé. Assim, nenhum dos problemas graves da gestão Dilma Rousseff foi causado pela oposição. Nenhum. Chegamos a 2014 com as elites divididas. Assim como os adversários do governo, que irão para a disputa eleitoral com duas candidaturas: Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). O empresariado, com imensa má vontade em relação ao governo, e o mercado financeiro também. As confederações sindicais estão divididas. Os movimentos sociais estão funcionando com agendas próprias. O funcionalismo público está voltado para o próprio umbigo e as próprias reivindicações. A desordem que campeia por conta de manifestações de grupelhos deve ter respostas objetivas e uniformes das elites brasileiras. O povo, ao responder que não apoia a violência e as manifestações violentas, já deu sua mensagem. É hora de as elites sindicais, políticas, econômicas e sociais e o governo darem uma resposta clara em favor da ordem. Nossas lideranças políticas devem dialogar, ao largo da questão eleitoral, em favor da ordem e da democracia. Custou-nos muito chegar aqui. Não é hora de permitir o retrocesso. Qualquer solução fora do campo democrático não interessa. Em especial, ao mais humilde dos brasileiros.

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