‘Xavequeiro’ de aluguel dá dicas a homens sobre conquista

Acompanhamento prático nas baladas custa cerca de R$ 2.200 ao mês

iG Minas Gerais | John Leland |

Participação. Durante o programa de coaching, Recenello se faz presente para ensinar sobre paquera
Fotos Joshua Bright/The New York Times
Participação. Durante o programa de coaching, Recenello se faz presente para ensinar sobre paquera

Nova York, EUA. Em uma segunda-feira à noite, no Meatpacking District, em Nova York, nos Estados Unidos, o mercado da paquera ia de vento em popa: homens e mulheres estilosos dando voltas em torno um do outro, oferecendo tiradas e piadas, e reunindo seus celulares.

No lounge, dois homens não deixavam nada à mercê da sorte. Anthony Recenello, 29, é um treinador (coach) de desenvolvimento social, que não é, ele destaca, um artista das cantadas. Seu companheiro, John, que pediu para ser identificado apenas pelo primeiro nome, é gerente de restaurante e paga US$ 1.000 (R$ 2.223) ao mês para Recenello por quatro sessões de acompanhamento prático, das quais o objetivo máximo não é conseguir muitas mulheres, destacou.

Recenello, um homem bonito que não parece ser afetado pela dúvida, observava enquanto seu aluno se aproximava de uma mulher e começava a conversar.

“Quero que ele olhe nos olhos. Isso mostra respeito pela pessoa”, disse. Ele demonstrou seu método preferido de fazer contato visual: com a cabeça levemente inclinada para baixo, olhos levantados, sinalizando o que ele chama de “conexão meditativa”. “Você está presente, está no momento. Isso mostra que você sabe que a outra pessoa tem alguma coisa incrível dentro de si e quer deixar isso sair. E que você está pronto e só está esperando”.

Só os mais solitários procuram no Google por termos como “artista do xaveco” para descobrir a quantidade de soluções para os homens que querem conhecer mulheres – seminários de sedução, acampamentos, fóruns online, encontros, workshops e newsletters, frequentemente com a garantia da devolução do dinheiro.

Durante boa parte da existência humana, os homens contaram com ferramentas tradicionais, como a astúcia ou a coragem, ou talvez um manual de cantadas anunciado na última página de uma revista masculina e entregue em envelopes de papel pardo.

Perfil. Recenello já havia trabalhado como babá, instrutor de ginástica e treinador de vida para crianças. Ele teve poucos relacionamentos românticos de longa duração e não está e um atualmente, mas não sofre de falta de confiança ou energia. “Finalmente eu tenho algo que realmente considero incrível. Algo que nunca havia sido feito”, disse.

Ele gosta de se distanciar da comunidade dos artistas do xaveco. Em uma tarde recente no Standard Hotel, ele bebia água mineral – não consome álcool – e traçava algumas diferenças fundamentais. “Quando vejo esse tipo de gente no bar, dá para perceber na hora. Eles estão à espreita, usam frases feitas e histórias decoradas. Eles só querem saber de conquistar todo mundo que não conseguiram no colegial. Estou longe de fazer o mesmo”.

Ao invés disso, Recenello ofereceu alguns princípios comuns da literatura de autoajuda: seja você mesmo, não tenha medo da rejeição, seja vulnerável, esteja presente. Tenha paixão por seus interesses e homens e mulheres se sentirão atraídos por você. “Isso não apenas é moralmente correto, como é mais eficaz”, afirmou. “Essa coisa da negação já saiu de moda”.

Há alguns anos, ele começou a postar esses conselhos em diversos fóruns. Logo em seguida, recebeu uma ligação de alguém que precisava de ajuda. À medida que um protegido levava ao outro, ele começou a cobrar pelos serviços: primeiro US$ 400 (R$ 888) por mês, depois subindo gradualmente até chegar a US$ 1.000. Afirmou ter entre cinco e uma dúzia de clientes por vez.

Publicação

Crianças. Anthony Recenello já até escreveu manuais para os pais. Um deles é o “Charismatic Kid: The New Breed of Superhero” (Criança carismática: um novo tipo de super-herói).

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