Premiação sem surpresas

Em festa no Francisco Nunes, na noite de segunda, Sinparc premia os melhores da dança, do teatro adulto e infantil

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Música. Orquestra e Coral abriram a premiação cantando “Planeta Água”, de Guilherme Arantes
DOUGLAS MAGNO / 26.05.2014
Música. Orquestra e Coral abriram a premiação cantando “Planeta Água”, de Guilherme Arantes

Na noite de anteontem, o Sinparc – Sindicato dos Produtores em Artes Cênicas – fez sua festa anual para premiar os melhores do teatro e da dança. A cerimônia se realizou no recém-inaugurado Teatro Francisco Nunes e não trouxe grandes surpresas.

O teatro adulto não reservou novidades porque “Prazer”, da Companhia Luna Lunera, venceu o prêmio de melhor espetáculo, mas foi só. Em nenhuma das outras três indicações (ator, cenário e texto), a peça obteve a mesma sorte. Em seu discurso de agradecimento, o ator Odilon Esteves lembrou do sucesso de público da temporada realizada em outro novo espaço da cidade, o CCBB, e rendeu homenagens ao pai do ator Cláudio Dias, falecido na manhã de domingo. “A Clarice Lispector diz que a gente precisa viver, apesar de. Apesar do que aconteceu ao pai do Cláudio, estamos aqui esta noite”, lamentou o ator.

Destaque ainda para os prêmios de ator e atriz coadjuvantes vencidos pelo espetáculo “Toda Nudez Será Castigada”, com Paulo Rezende e Jaqueline Francisco; o espetáculo ainda levou o prêmio pela direção de Kalluh Araújo. Geraldo Peninha foi premiado, como melhor ator, por “Horácio”; e Silvana Stein, melhor atriz, por seu trabalho em “Discurso de Um Coração Infartado”. Jair Raso venceu na categoria texto original por “Memórias em Tempos Líquidos”, o catarinense Fernando Marés venceu por seu cenário de “Os Ancestrais”, do Grupo Teatro Invertido, e Leonardo Mendonza, em trilha sonora original, por “A Mandioca Brava”.

Na dança, os mais premiados foram os espetáculos “Retina”, do Camaleão Grupo de Dança, e “Nômade”, da Companhia Mario Nascimento. Inclusive, os prêmios de melhor espetáculo e direção, respectivamente.

O teatro infantil foi completamente dominado pelo espetáculo “Alice no País das Maravilhas”, do Giramundo. No total, foram seis prêmios rendidos ao trabalho: iluminação, figurinos, trilha sonora original, ator, direção e melhor espetáculo.

Júlio Varela – primeiro diretor do Teatro Marília e responsável por trazer a Belo Horizonte a “Campanha das Kombis”, gênese do que viria a ser a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança – recebeu o prêmio Reconhecimento.

Em uma noite cercada dos protocolares elogios e promessas por parte de patrocinadores, do organizador do prêmio (o Sinparc) e do poder público (representado pela Fundação Municipal de Cultura e Secretaria Estadual de Cultura), coube ao ator Eduardo Moreira o protesto solitário da noite.

Ao receber o prêmio por maior público conquistado pelo espetáculo “Os Gigantes da Montanha”, o ator criticou a morosidade e a dificuldade de se fazer teatro de rua na cidade. “A cidade está cercada, cerceada. E nós, artistas, precisamos pagar um monte de taxas e alvarás para utilização do espaço público, que vai minando o trabalho dos artistas de rua”, ressaltou Moreira.

Por sua vez, a FMC e Secretaria Estadual de Cultura prometeram editais e novas ações específicas para as artes cênicas da cidade e do Estado. Dentre elas, o lançamento dos editais de ocupação dos teatros Marília e Francisco Nunes, a reabertura do teatro Clara Nunes, administrado pelo Sesc, e a abertura do Centro de Referência das Artes Cênicas.

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