Bambas de várias gerações

Turnê do Prêmio da Música Brasileira, que homenageia o samba em sua 25ª edição, aporta em Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Encontro. Mariene de Castro e Beth Carvalho representam as diversas vozes femininas do samba
Roberto Filho
Encontro. Mariene de Castro e Beth Carvalho representam as diversas vozes femininas do samba

A tarefa de reunir o elenco e o repertório de um espetáculo todo dedicado ao samba não é simples de resolver. O desafio, de acordo com José Maurício Machline, diretor artístico da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira, cujo show acontece hoje no Cine Theatro Brasil Vallourec, se deve à vasta pletora de bons compositores, cantores e canções encontrados nesse universo – o que torna difícil fazer escolhas.

De acordo com ele, um norte foi desenhar um panorama do gênero desde suas vertentes mais tradicionais às mais modernas. Assim, ele chegou aos nomes Beth Carvalho, Mariene de Castro, Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Altay Veloso e Zélia Duncan, que aqui ainda encontram Aline Calixto no palco.

“Depois disso, eu pensei o que ficaria bom na voz de cada um dos intérpretes. Com a Beth, por exemplo, procurei ressaltar alguns sucessos na voz dela e selecionamos um repertório mais clássico, atrelado à nomes como Cartola e Candeia. Já Mariene, que gravou um disco que homenageia Clara Nunes, reservamos para ela composições desta cantora. Mas há também algumas coisas novas, como a canção ‘Tirilê’, que é maravilhosa e faz parte do disco (‘Colheita’) mais recente de Mariane”, explica José Maurício Machline.

A baiana, ao avaliar o resultado dessa seleção, diz se sentir muito prestigiada em participar do projeto, que para ela alcança momentos de contagiante beleza. “O show é lindíssimo e todo o repertório é primoroso. Nós, que cantamos no palco, estamos comentando como não é fácil fazer algo assim, que busca revisitar os melhores sambas, porque nós temos uma safra incrível, e acho que o José Maurício conseguiu sintetizar bem essa história”, opina Mariene de Castro.

De acordo com a cantora, diante do público impera a diversão, e cada vez que um artista entra no palco se inaugura um clima novo.

“Quando o Arlindo Cruz e o Altay chegam, por exemplo, é fascinante como eles trazem um sentimento próprio a partir do que fazem. É especial, sem dúvida, a presença de Beth Carvalho. Ela no palco é muito emocionante, por tudo que ela representa. Com Zélia, eu canto ‘Falsa Baiana’ e certamente é um dos momentos bem engraçados porque nós brincamos muito. A dinâmica é leve e descontraída”, resume Mariene de Castro.

Outro encontro ressaltado por ela é a parceria com Altay Veloso. Juntos eles interpretam “Epifania da Paz”, composta por ele, e “Canto das Três Raças”, de Paulo César Pinheiro. “Foi nessa turnê que eu me apresentei com Altay pela primeira vez e tem sido uma experiência linda. Ele é um grande artista e compositor. Estar ao lado dele é inspirador justamente por isso. Para mim é mais um privilégio”, afirma Mariene.

Contente com a itinerância do show que já passou por outras três cidades (São Luís, Belém e Parauapebas), Altay recorda que “Epifania da Paz” é mesmo especial, porque celebra a liberdade. “Eu fiz essa canção há alguns anos quando o Nelson Mandela foi solto da prisão. Eu fiquei muito emocionado na época, escrevi e depois a Alcione a gravou. Eu toco violão enquanto Mariene empresta sua voz, que tem um timbre bastante bonito”, pontua Veloso.

Acompanhados pelos músicos João Carlos Coutinho (piano), Lula Galvão (violão), Jorge Helder (contrabaixo), Marcio Almeida (cavaquinho), Dirceu Leite (sopros), Luciano Broa (bateria), Pretinho da Serrinha e Adilson Didao (percussão), ele frisa a qualidade da banda. “Todos têm um trabalho muito precioso. Eu diria que todos são doutores no que fazem”, acrescenta.

Agenda

O quê. Show Prêmio da Música Brasileira

Quando. Hoje, às 21h

Onde. Cine Theatro Brasil Vallourec (Rua dos Carijós, 258, Centro)

Quanto. Entrada gratuita a partir de inscrição no site premiodemusica.com.br

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