Mostra propõe a formação de redes para preservação

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |


“Tudo por Amor ao Cinema” abre o festival na noite de amanhã
Universo Produção
“Tudo por Amor ao Cinema” abre o festival na noite de amanhã

A temática da nona edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto também partiu do curador Hernani Heffner. Em sua pesquisa acadêmica, o conservador criou o conceito da “formação de redes” para a preservação audiovisual. Na mostra, ele vai debater a proposta em seminários com a participação de preservadores de Moçambique, Argentina e Uruguai.

Em sua teoria, o curador parte do cinema como uma arte criada no fim do século XIX, dependente de uma estrutura de mercado – que determina em que lugar, época, de que maneira e a quais filmes o público vai ter acesso. “Há pouca margem de intervenção e quase nenhuma escolha nesse processo. A experiência brasileira é ainda mais grave porque o mercado se voltou para o produto estrangeiro”, explica Heffner.

A chegada da internet, e as possibilidades do digital e da atual circulação de informações, no entanto, invertem esse panorama tão engessado. “É quase como se você passa a poder ir atrás da obra no dia, horário e no formato que quiser”, ressalta.

Mais importante que isso, segundo o curador, é a centralidade na ideia de rede da troca de experiências com outras pessoas, descobrindo nelas conexões significativas “para uma vida social mais pulsante e interessante”. O sentido da rede, para ele, é aproveitar esse potencial. “É se inserir dentro da estrutura desse processo, que continua tendo uma base tecnológica, mas ela não define o que você vê, nem em que limite”, argumenta.

Pelo contrário, ela cria um ambiente em que a produção não apenas circula, mas pode também ser preservada. “A rede implica auferir um ganho não só de conhecimento, de descobrir que as coisas existem, mas de preservação, já que o conceito de ‘arquivo digital’ pode passar a ter um significado muito mais amplo e literal”, teoriza.

Para Heffner, esse conceito da ‘formação de redes’, em que obras poderiam ser preservadas, distribuídas e debatidas em grandes acervos virtuais em uma rede fixa poderia ter um impacto inimaginável no cinema nacional. “A filmografia brasileira permanece invisível porque não atinge boa parte do território. A maioria dos municípios nem tem cinema”, considera.

Além disso, ele continua, “grande parte das obras nem é lançada em DVD. Praticamente nenhum filme anterior a 1990 está disponível em blu ray”.

O grande mérito da CineOP, para o curador, é chamar a atenção para essas discussões. Mais essencialmente, o festival cria mesmo um fórum para elas, já que Heffner afirma que, por uma certa falta de oportunidade, os preservadores acabam realizando seu trabalho isolado, sem a chance de trocar experiências. A mostra se torna, assim, ela mesma uma rede.

“Há um privilégio, uma exclusividade da CineOP nesse sentido, que fazem com que você tenha um instrumento de divulgação dos trabalhos que se desenvolvem na área, dos profissionais nela inseridos e da importância do objeto preservado para a cultura brasileira”, conclui.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave