Mitos sobre rodas

iG Minas Gerais |

Daniel de Cerqueira – 15.3.2008
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Da mesma forma que falam ser o Brasil o país com o maior número de técnicos de futebol do mundo, uma vez que em toda esquina quando o assunto é comentado não faltam os entendedores de plantão, quando o tema são os carros o cenário não é muito diferente. Somos um povo apaixonado por automóveis, e sempre algum conhecido tem uma boa dica para passar para frente. Tem gente que acredita que o primeiro abastecimento em um veículo com motor flexível deve ser feito com gasolina. Mito ou verdade?Mito. O sistema reconhece em segundos o combustível no reservatório e se adequa para o perfeito funcionamento do motor. E, assim, muitas outras questões como essa geram dúvidas curiosas. Na verdade, a velocidade da evolução tecnológica dos veículos muitas vezes não é seguida pela velocidade da informação. Isso contribui para que alguns pensamentos equivocados atravessem gerações. Alguns conceitos sobre mecânica automotiva que povoam o imaginário desses “entendidos”, e muitas vezes bem-intencionados, podem se traduzir em verdades, mas muitas não passam mesmo de puro delírio. São muitos os exemplos que se destacam nesse universo palpiteiro, e hoje vamos nos ocupar em comentar alguns deles. Como aquela “dica” que sugere a prática – bastante comum entre os fanáticos por economia – de andar nas marchas mais altas mesmo em baixa velocidade, conduta que não favorece expressivamente a economia de combustível. O que determina redução no consumo é o tipo de condução. Como fazer a troca nos momentos certos, não esticar demais ou de menos as marchas. Ou que o rádio ligado em carro desligado acaba com a vida útil da bateria. Mito. Um rádio automotivo comum não é suficiente para criar tão extremo desgaste, mesmo aqueles com excesso de displays e luzes que puxam mais energia. Agora, se colocarmos nesta seara os conselhos dos frentistas de postos, que tentam vender algum serviço ou produto, aí a conversa fica ainda mais séria. A recomendação desnecessária para a limpeza dos bicos injetores é prática até comum nesses casos, e muitos incautos caem na lábia e deixam fazer o “serviço”. Sem falar nos aditivos milagrosos que são capazes até de contribuir para economizar gasolina. Mesmo que reconhecidamente apaixonada por carro, a média dos motoristas não é exatamente versada em mecânica. Uma “dica” muito popular entre os mecânicos é a que garante que o uso contínuo do freio motor economiza as pastilhas dos freios. Esse raciocínio, além de superado, é dispendioso. Fazer isso no trânsito certamente gera mais gasto de combustível do que o ato de se pisar no freio aos poucos, é o que dizem os especialistas. Outra curiosidade diz respeito à cor dos automóveis. Carros de cor escura atraem mais calor e gastam mais? Essa teoria é comprovada pelo fabricante. Como esses veículos refletem menos luz, acabam por absorver mais calor. Por isso, o carro fica mesmo um pouco mais quente por dentro, e o ar-condicionado “puxa” mais potência do motor para equilibrar a temperatura interna. Verdade. Dirigir com vidros abertos só é sinal para maior consumo de combustível quando se está na estrada a mais de 80 km/h, graças ao arrasto aerodinâmico nos vãos da janela. E por aí vai. São muitas as dúvidas, por mais simples que possam ser. Manter o filtro do ar-condicionado limpo é necessário, sempre. Usar cinto de segurança, não é preciso nem dizer, ainda mais que agora todo carro brasileiro é obrigado a sair de fábrica com airbag. Uma grande e bem-vinda evolução.

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