Decisão de fechar a UFMG em jogos da Copa divide universitários

Estudantes da Federal são contra o fechamento dos portões da UFMG durante os jogos no Mineirão, mas concordam em relação a não ocupação do espaço físico por forças de segurança

iG Minas Gerais | JOÃO PAULO - ESPECIAL PARA O TEMPO |

CIDADES BH MG: FOTOS UFMG CAMPUS PAMPULHA. ENTRATA ABRAAO CARAN

FOTOS: DENILTON DIAS / O TEMPO / 26.05.2014
DENILTON DIAS / O TEMPO
CIDADES BH MG: FOTOS UFMG CAMPUS PAMPULHA. ENTRATA ABRAAO CARAN FOTOS: DENILTON DIAS / O TEMPO / 26.05.2014

Após decisão da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do conselho universitário em suspenderem  o expediente acadêmico e administrativo no campus da Pampulha, na Escola de Arquitetura, na Faculdade de Direito, no Espaço do Conhecimento, no Centro Cultural e no Conservatório da UFMG, nos dias 14. 17, 21, 24 e 28 de junho e no dia 3 de julho, datas dos jogos da Copa do Mundo no Mineirão, a comunidade estudantil foi ouvida por nossa reportagem.

Os estudantes entrevistados se mostraram contra o fechamento dos portões do campus da Pampulha. No entanto, quando o assunto foi um possível posicionamento de forças de segurança dentro das dependências da universidade, eles foram taxativos: somos contra.

Misley Alexandra Sabino Pereira, 33, estudante de nutrição:

"A UFMG é a única universidade no Brasil que está dentro daquele limite geográfico da Fifa. No entanto, fechar o campus Pampulha é algo que, realmente, não é necessário. O barulho do estádio poderia atrapalhar os prédios da Farmácia, da Veterinária, da Odonto e da Educação Física, mas nas datas dos jogos não teremos aula e, nesse caso, não vejo o porquê disso tudo. Agora, colocar forças policiais dentro do campus é algo que nos remete a uma certa repressão e, não vejo com bons olhos".

Nilo Maurício Rosa de Lima Júnior, 22, estudante de economia:

"Acho prejudicial fechar o campus. Partindo do pressuposto de que pode haver manifestações no entorno do Mineirão, a UFMG poderia servir de base de apoio aos estudantes que sofressem algum tipo de incidente durante os possíveis confrontos com tropas de choque. A ocupação do espaço da UFMG aqui na Pampulha é algo que reprovo e a UFMG deveria servir para outros fins que não este".

Paulo Henrique Dias, 25, estudante de psicologia:

"O campus é um espaço público e seria um absurdo fechá-lo em função de interesses de uma "empresa" como a Fifa. E aqui também não deve ser rota de torcedores. Se houver uma ocupação policial dentro da Federal será ainda pior, pois mostra, na verdade, a incapacidade de nossos governos, seja Federal ou Estadual de cuidarem das demandas da sociedade, sejam elas por força de manifestações incontidas ou por carência de cuidados na saúde, moradia ou transporte".

Iann Souza, 21, estudante de radiologia:

"Creio que não seria necessário parar as atividades da UFMG por motivos externos. Isso prejudica muito alguns prédios que não podem ser completamente esvaziados, em função de seus contínuos estudos, como por exemplo, o Instituto de Ciências Biológicas, que faz controles diários de sementes. Em relação à ocupação do campus por forças de segurança sou totalmente contrário. A finalidade da UFMG não deve ser a de servir como base militar".

Ana Júlia Guedes, 21, estudante de direito:

"Acho que não estamos com o pior dos cenários para decretar o fechamento do campus nas datas dos jogos no Mineirão. E esse espaço não pertence a nenhuma força de segurança. Fui contra o ano passado e serei sempre. A finalidade da universidade é outra e não faz o menor sentido a UFMG ser trampolim para servir qualquer forma de repressão policial".

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