Redução de mortes por dengue teve influência de seca atípica

Para pesquisadores da Fiocruz, escassez de chuva foi um dos fatores para cenário positivo da doença

iG Minas Gerais | Da redação |

Limpeza e monitoramento contantes continuam sendo a melhor arma contra o mosquito da dengue
Régis Almada/Divulgação
Limpeza e monitoramento contantes continuam sendo a melhor arma contra o mosquito da dengue

RIO - O Ministério da Saúde comemorou na semana passada - e o ministro da Saúde Arthur Chioro voltou ao tema, hoje - a queda de 80% no número de casos de dengue registrados no Brasil no primeiro trimestre. De acordo com o dado, a quantidade de óbitos por conta da doença também foi reduzida. Entretanto, segundo informação de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a seca atípica do verão deste ano pode ser um dos principais fatores que levaram ao cenário positivo.

“Esse período do verão que a gente teve em 2014 com uma quantidade de chuva tão abaixo da esperada faz com que se tenha uma oferta menor de criadouros comparado com o tradicional período do verão. Essa baixa oferta de criadouros faz com que a população de mosquitos se mantenha mais baixa. Por isso, fatalmente, essa falta de chuva está ajudando a diminuir a quantidade de dengue e de mosquitos que são esperados nessa época do ano”, explicou o pesquisador em saúde pública da Fiocruz, Rafael Freitas.

A região Sudeste, onde são notificados mais casos da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypyti, vem sofrendo desde o início do ano com uma queda no índice pluviométrico.

O Rio de Janeiro, Estado da região que apresentou maior diminuição de ocorrências de Dengue em comparação com 2013 (-95%), registrou baixas consideráveis no nível de chuvas, em relação ao mesmo período do ano anterior, em todas as seis estações pluviométricas coordenadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Estado. Na capital, a estação anotou, em janeiro do ano passado, precipitação de 334.7 milímetros. Já no mesmo mês de 2014 o índice foi de 58.1 mm.

O pesquisador destacou também como possível causa da redução de casos uma intensificação dos projetos de prevenção das secretarias municipais e estaduais de saúde. E, além disso, o fato de, ao menos no Rio, a maior parte das pessoas já ter contraído a doença faz com que a estatística caia devido à imunidade desenvolvida por aqueles que já foram alguma vez infectados por aquele tipo de vírus.

“Pelo menos no Rio de Janeiro tivemos epidemias graves e severas de dengue nos dois últimos verões. Então, dessa maneira, o número de pessoas aqui no Rio de Janeiro que estão suscetíveis ao dengue tipo 4 (um dos tipos de vírus), por exemplo, é menor esse ano do que era em 2013 e do que em 2012”, explica Freitas.

Surto

Sobre a possibilidade de ocorrer um surto da doença na região sudeste durante os próximos meses, caso haja uma grande quantidade de chuvas, o pesquisador considera improvável. De acordo com Rafael, o que pode acontecer é uma alta no número de casos esperados para a estação mas nada que se iguale ao período de dezembro a março.

“Ao mesmo tempo que pode ter um aumento de chuva em abril e maio, por outro lado já começa a diminuir a temperatura média, que é outro fator muito importante para a dinâmica de transmissão de dengue. Não adianta ter só chuva com temperatura baixa. Por conta disso, imagino que a gente não tenha risco de ter uma transmissão de dengue como geralmente a gente tem aqui no Rio de Janeiro no verão em anos epidêmicos”.

Em outras regiões, a ocorrência de chuvas nos meses de inverno já pode significar outra coisa. É o que acontece no Nordeste, que mesmo no meio do ano tem temperaturas acima de 20°C.

Lá, as chuvas poderão ocasionar um surto de dengue no período, que coincide com a realização da Copa do Mundo. “Nas cidades do Nordeste, por conta do clima ser diferenciado em relação ao Sudeste, nesse período do ano a gente encontra naturalmente um aumento nas taxas de transmissão de dengue. Então, as cidades do Nordeste estão com um risco um pouco maior de ter um surto ou alguns eventos de transmissão durante a Copa do Mundo”.

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