Físico mineiro conta detalhes de suas pesquisas sobre Marte

Ivair Gontijo, que integra o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, fez palestra na UFMG

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Bagagem. O físico mineiro Ivair Gontijo falou para um auditório lotado de estudantes, ontem, na UFMG
DENILTON DIAS / O TEMPO
Bagagem. O físico mineiro Ivair Gontijo falou para um auditório lotado de estudantes, ontem, na UFMG

Nos últimos anos, o físico mineiro Ivair Gontijo, 54, se dedicou a pesquisar o planeta vermelho. Ele integra o seleto rol de profissionais do Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a Jato – JPL, na sigla em inglês) da Nasa, nos Estados Unidos, onde participou da construção e lançamento da sonda Curiosity – que saiu da Terra em 2012 e viajou por oito meses até chegar em solo marciano em 2013. Agora o foco de Gontijo é outro: mandar uma sonda para a lua de Júpiter em 2022. Nesta segunda ele esteve em Belo Horizonte, onde falou para um auditório lotado de estudantes da UFMG. Ele abordou a construção dos componentes mais críticos do radar que ele controlou nos últimos sete minutos da descida em Marte. “O Curiosity é um veiculo mandado para Marte do tamanho de um jipe, que pesa 900kg na Terra e, em Marte, é só 38% disso. Ele carrega dez instrumentos, tem um braço mecânico e 17 câmeras.

Eu trabalhei na construção dos componentes do radar, transmissores, receptores e dos conversores de frequência e isso foi entregue para grupo que depois o integrou com o resto da espaçonave. Mas de qualquer forma foi muito emocionante ouvir o sujeito dizer que nosso radar estava funcionando no momento da chegada ao planeta”, afirma.

Gontijo explica que a importância desse trabalho é buscar responder várias das grandes perguntas da humanidade além de contribuir para o futuro. “A nossa grande razão de ir pra Marte é estudar a habitabilidade do planeta. É saber se Marte teve ou tem condições para formar a vida. Imagina que tem lá um planeta inteiro esperando a gente ficar mais esperto e ir lá e colonizar. Entender, por exemplo, o que aconteceu com a atmosfera de Marte, com a água de Marte que era um planeta com oceanos e hoje não tem mais”, afirma. Ele explica que Marte tinha uma atmosfera espessa parecida com a nossa, em pressão, e essa atmosfera entrou em colapso.

Gontijo lembra que o dia do pouso da sonda em solo marciano foi transmitido para milhares de pessoas no mundo inteiro ao vivo pela internet e televisão.

O físico conta que desde que chegou a Marte a sonda já sofreu com alguns problemas. “Com menos de um mês que havia chegado, uma parte da memória parou de funcionar por causa do campo magnético, mas eles conseguiram isolar então essa parte e não usam mais, mas é um problema sério”.

Outro grande problema que ele tem no momento são as rodas de alumínio que estão com buracos enormes. E a rocha em Marte é muito mais dura do que imaginavam.

Mineiro ‘marciano’ Ivair Gontijo Idade: 54 anos Natural de: Moema, no Centro-Oeste de Minas Gerais Formação: Graduação e mestrado no Departamento de Física da UFMG e doutorado na universidade de Glasgow, na Escócia Experiência: Trabalhou por quase cinco anos na Escócia, depois foi para Califórnia. Em seguida, trabalhou em empresas de comunicação de fibra ótica.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave