Sou polêmico, e vítima de preconceito, mas tô na moda

“Funk.DOC” leva ao Sesc Palladium produções que revelam realidade sociopolítica em torno do gênero

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

“A Batalha do Passinho” conta história por trás do fenômeno viral
Sesc
“A Batalha do Passinho” conta história por trás do fenômeno viral

No fim do ano passado, a jornalista Débora Fantini ajudou na divulgação de “Esculacho”, segundo curta-metragem do amigo Marcelo Reis. O documentário abordava a moda dos jovens escutando funk com volume alto nos seus celulares, iPods, mp4 e afins no transporte público. Curiosamente, o lançamento coincidiu com a estreia de outro documentário, o longa “A Batalha do Passinho – O Filme”, que explorava o fenômeno do vídeo “Passinho Foda” e sua viralização no Youtube.

“Na época, percebi uma resistência das pessoas ao tema. Mas ao mesmo tempo, havia uma abertura delas ao ter contato com os filmes, uma curiosidade independente de gostar da música ou não”, lembra Fantini. Foi isso que fez com que ela e Reis decidissem curar uma mostra de produções que explorassem essa curiosidade e abrissem a mente das pessoas para a riqueza cultural do gênero.

O resultado é “Funk.DOC”, que começa amanhã e vai até o dia 31 no Sesc Palladium. Além de “Esculacho” e “A Batalha do Passinho”, a mostra apresenta outros dois curtas, dois médias e um longa que revelam as diversas vertentes existentes dentro do funk e leva a grande produção audiovisual em torno do gênero, de grande sucesso na internet, para a sala de cinema.

Fantini espera que os filmes esclareçam que o funk não é só a música. “É toda uma realidade sociopolítica que ela faz chegar a todo mundo no ônibus, no carro que passa do seu lado”, analisa. É esse encontro que a mostra deseja potencializar. “Do cara que vai ao baile em diversos locais com aquele que vai à festa funk na boate da Savassi com o jovem universitário, o professor e a família que frequenta o Palladium”, propõe.

Para fazer um retrato cronológico do movimento, “Funk.DOC” traz na abertura o documentário pioneiro “Funk Rio”, de Sérgio Goldenberg. O média, que completa 20 anos em 2014, será seguido de palestra com Carlos Palombini, professor de Etnomusicologia da UFMG e pesquisador do gênero. “Mesmo nas comunidades, tem gente que gosta e gente que não gosta, mas ele é pretexto para circulação e socialização entre as comunidades e forma de atividade econômica e sobrevivência”, avalia Palombini.

Programe-se

Mostra “Funk.Doc” Quando. De 28 a 31/5

Onde. Sesc Palladium – avenida Augusto de Lima, 410, centro

Programação completa. www.sescmg.com.br

Entrada gratuita

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