Auditoria mostra pagamento para ex-dirigentes da CBV

Apesar da confirmação, dirigente afirma que não é hora de apontar culpados

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Mudanças. Renan Dal Zotto, diretor de marketing da CBV, afirma que ainda vão ser averiguadas quaisquer irregularidades na entidade
Alexandre Arruda/CBV
Mudanças. Renan Dal Zotto, diretor de marketing da CBV, afirma que ainda vão ser averiguadas quaisquer irregularidades na entidade

O cheiro de pizza ficou no ar, mas logo apareceu a primeira notícia para dar esperanças de que possíveis irregularidades no vôlei brasileiro não ficarão impunes. Após auditoria de contratos suspeitos, feitos pela a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), ficou comprovado que R$ 5,5 milhões foram destinados a empresas de ex-dirigentes da entidade. A informação foi divulgada na última quarta-feira por Renan Dal Zotto, diretor de marketing da entidade que rege a modalidade.  

Enquanto R$ 2,9 milhões foram pagos para a S4G, de Fábio Azevedo, ex-superintendente, outros R$ 2,6 milhões foram pagos para a SMP, de Marcos Pina, também ex-superintendente. Os valores foram repassados para assessoramento e planejamento de atividades ligadas à CBV para a realização de etapas de torneios de vôlei de praia, entre outros. Cada contrato seria no valor de R$ 10 milhões.

O contrato com o primeiro, que é atual diretor da Federação Internacional de vôlei (FIVB), já foi rompido, ao passo que o segundo está suspenso. Pina, inclusive, se afastou da CBV após as denúncias. “A auditoria apontou fragilidades na gestão da CBV. O próximo passo é uma análise jurídica desses contratos para ver se há possibilidade de buscar ressarcimento judicialmente. Vamos tentar correr atrás para buscar alguma restituição, se isso for do nosso direito”, destaca Dal Zotto.

A COMPROVAR. Apesar da confirmação do pagamento, ainda não há certeza de ilegalidades no acordo feito. “Agora cabe aos advogados averiguarem todos os documentos. Não é hora de julgar ou pré-julgar ninguém. Precisamos ter certeza dos fatos antes de apontar culpados”, orienta Dal Zotto. Ao todo, foram analisados 33 documentos, entre contratos, aditivos e rescisões.

Em um futuro indefinido, mais novidades podem aparecer. No entanto, sem previsão alguma. Assim que fatos relevantes forem aparecendo, a informação será prontamente passada. “Não existe prazo. À medida que as coisas forem acontecendo, vamos divulgar”, garante o diretor de marketing.

Sobre a situação que encontrou na CBV na sua chegada recente à entidade, Dal Zotto preferiu desconversar e olhar para frente. “Isso não importa muito. Foram fatos isolados que aconteceram, que não vão apagar toda a história do vôlei brasileiro. A CBV sabe da responsabilidade que tem em mãos e agora não é hora de ‘chorar o leite derramado’. Temos que trabalhar para evitar novos erros no futuro, isso é o mais importante”, explica.

Bernardinho e Zé Roberto tiveram acesso ao relatório

Uma das informações divulgadas foi de que o relatório da auditoria sobre os contratos firmados entre CBV e ex-dirigentes foi entregue para Bernardinho e José Roberto Guimarães, técnicos das seleções masculina e feminina, respectivamente. Renan Dal Zotto, diretor de marketing da CBV, confirma a informação, mas em parte. “Eles tiveram acesso a alguns conteúdos apenas de todo o resultado. Acho importante que membros do vôlei nacional se envolvam e tenham conhecimento sobre o ocorrido. Também estamos mantendo contato com alguns atletas da comunidade do vôlei para que eles saibam do que está acontecendo. É preciso justificar para essas pessoas uma série de coisas”, aponta o atual dirigente e ex-jogador da seleção brasileira.  

 

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