Cresce peso de dívidas na renda das famílias

Combinação de juros altos e aumentos menores de salários são explicações

iG Minas Gerais |

Pé atrás. Procura pelo financiamento para a compra de bens duráveis deve ser menor no país
CHARLES SILVA DUARTE/O TEMPO
Pé atrás. Procura pelo financiamento para a compra de bens duráveis deve ser menor no país

SÃO PAULO. A combinação entre elevação da taxa de juros, expansão mais moderada dos prazos de empréstimos e aumentos menores dos salários fará com que a parcela da renda das famílias comprometida com encargos de dívidas suba para nível considerado recorde. Essa tendência deve frear ainda mais a expansão do consumo das famílias brasileiras, que já vem perdendo ritmo. A projeção foi feita pelo banco Credit Suisse.

“A taxa básica de juros está subindo e o aumento da renda disponível é o menor em muitos anos”, revela o economista-chefe do Credit Suisse.

O banco estima que a fatia destinada a pagamento de juros e amortizações – que já vem subindo – salte de 21,9% em fevereiro deste ano para 23% já no fim de 2014 e siga em uma trajetória ascendente até alcançar 23,7% em dezembro de 2015. Até agora, o percentual mais alto já registrado no Brasil foi de 23% em janeiro de 2012.

Apesar do ciclo de alta da taxa básica de juros – a chamada Selic – a partir de abril de 2013, a fatia de renda disponível das famílias atrelada a pagamento de encargos de dívidas havia recuado entre o fim de 2012 e de 2013.

Impacto dos juros. Segundo o Credit Suisse, a redução dos juros por parte dos bancos públicos em linhas como operações de crédito rotativo do cartão de crédito ajuda a explicar a queda.

Outro fator foi a desaceleração na oferta de financiamentos para a compra de veículos na esteira do esforço dos bancos privados para limpar as suas carteiras de créditos inadimplentes.

No entanto, o impacto do aumento da taxa Selic sobre as taxas de financiamentos bancários já vem sendo sentido e aumentará ainda mais, aponta o estudo do banco.

O economista Fábio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), ressalta que os juros das linhas para pessoas físicas com recursos livres (sem incluir financiamentos imobiliários) atingiram 41,6% em março – índice mais alto desde fevereiro de 2012. “Até dezembro, esse movimento foi parcialmente atenuado por um aumento nos prazos dos empréstimos, que já está perdendo fôlego”, alerta.

Inflação. Além da alta taxa de juros, a inflação mais alta tem contribuído para o maior pessimismo dos consumidores brasileiros.

Indicador do CNC que mede a confiança das famílias despencou de 155,6 em abril de 2013 para 119,7 no mesmo mês deste ano. Esse índice varia de 0 a 200.

Todos esses fatores apontados têm levado os brasileiros a colocarem o pé no freio na procura por crédito.

Crédito

Juros. No caso do crédito imobiliário, os juros para pessoas físicas com recursos direcionados aumentaram de 7,8% no primeiro trimestre de 2013 para 9,4% neste ano.

Bens duráveis serão afetados

SÃO PAULO. Nas estimativas do Credit Suisse, a procura por financiamento para a compra de bens duráveis deve continuar piorando. Segmentos do comércio mais dependentes de crédito como móveis, eletroeletrônicos e artigos de informática são os que mais sofrerão impacto. Já o crédito imobiliário –apesar de caro– continuará se expandindo, mas em ritmo mais moderado, de acordo com o estudo.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave