“A internet ganhou um papel forte”

Fábio Malini Coordenador do Laboratório de Imagem e Cibercultura (LABIC) da UFES

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Nos últimos anos, tem-se observado uma evolução do uso da internet nas campanhas políticas. O que explica essa mudança?  

Um dos fatores é uma certa decadência de outros veículos, em termos de regime de atenção. A TV está mostrando que essa atenção tem reduzido muito em função de uma mudança cultural das pessoas que usam, sobretudo, celular e laptops. Esse deslocamento de atenção provoca efeitos na maneira como as pessoas veem a política. No ano de 2013, o regime cultural ficou mais colado ainda com o regime político. Até então a internet tinha papel secundário.

No cenário das eleições deste ano, a internet pode ter maior protagonismo?

Neste ano, o voto tem sido mais disputado. Por um lado há eleitores que têm suas predileções tradicionais – PT ou PSDB, por exemplo. E de outro, tem um grande contingente de votos nulos, um discurso despolitizante. A internet, politicamente, tem deixado as candidaturas numa situação curiosa. Os candidatos não crescem e ao mesmo tempo não veem muita solução. A internet ganhou um papel forte. Em 2010 não era, de fato, o veículo que ajudava na conquista dos votos, mas ajudava a não perder.

Mas isso também é importante em uma candidatura?

É fundamental. Tem comunidade de pessoas ativas, engajadas e militantes que publicam intensamente, comentam os pontos em que as candidaturas estão vulneráveis. A ação política na rede é muito importante porque hoje as pessoas estão no celular e sempre têm alguém ali pra defender (o candidato). Até 2010, o papel da internet era de mostrar tendências de acontecimentos. Neste ano, entra num patamar novo, de conquista de votos.

Em 2010 a internet era ainda um laboratório?

Acho que sim. Hoje dá pra saber exatamente quais são as palavras, os temas, as redes e as pessoas que estão relacionados a cada um dos candidatos. Essa possibilidade de grande volume de dados não havia em 2010, como se tem hoje.

Isso pode interferir diretamente na campanha?

Em um debate, por exemplo, o candidato que está ali falando de determinado tema pode mudar o discurso em tempo real por causa da repercussão na rede. Isso pode acontecer. Não é mais necessário um grupo focal, mas filtrar os dados na internet. Essa surpresa pode acontecer se as candidaturas trabalharem minimamente com processo de pesquisa que não seja o velho modelo de opinião.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave