Método alemão ajuda a tratar diagnósticos graves de escoliose

Técnica se mostrou bem-sucedida em vários estudos, e evitou cirurgia

iG Minas Gerais | Rachel Rabkin Peachman |

Nova York, EUA. Usei um colete duro de plástico dos 8 aos 16 anos de idade para tratar a escoliose, um tipo de desvio da coluna. É o tratamento mais comum para crianças com esse problema nos últimos 50 anos, e eu sempre fiz minha parte direitinho, na esperança de que a curvatura em forma de S da minha espinha fosse contida e eu não precisasse ser submetida a uma cirurgia de fusão espinhal.  

Quando cheguei aos 16 anos e já tinha atingido minha altura final, e o desvio mais agudo havia se estabilizado em 45º. Mas, agora, aos 38 anos, me encontro com um desvio de 55º na parte superior da coluna, e mais 33 na inferior, com dores constantes. Alguns ortopedistas recomendam cirurgia; outros, fisioterapia convencional. Ninguém sabe dizer se qualquer uma das possibilidades será capaz de eliminar a dor.

Agora pode haver mais uma: um regime de exercícios conhecido como método Schroth. Desenvolvido nos anos 20 na Alemanha por Katharina Schroth, a técnica é o tratamento padrão contra a escoliose em crianças e adultos de diversos países europeus.

A terapia, adaptada ao desvio de cada paciente, se concentra em interromper a progressão da curvatura, reduzir as dores e melhorar a postura, a força e a função pulmonar. Os exercícios incluem alongamentos, fortalecimento e técnicas de respiração que ajudam a recuperar a rotação dos desvios da coluna. Os pacientes devem fazer os exercícios em casa e incorporar as correções da postura no dia a dia.

Dezenas de estudos internacionais revelam que o método Schroth e suas variações melhoraram os resultados junto aos pacientes, reduzindo a necessidade de cirurgia em pessoas de todas as idades.

Em um dos estudos, os pacientes que não foram submetidos aos exercícios Schroth sofreram uma progressão dos desvios da coluna até três vezes superior a dos pacientes que praticaram os exercícios. Em outro estudo, 813 pacientes que passaram pelo método Schroth aumentaram em média 20% a capacidade de expandir a caixa torácica para respirar.

Esperança. Muitos pacientes com escoliose, sofrendo de um desconforto crescente, esperam ansiosos por resultados de novos estudos.

Aos 15 anos de idade, Rachel Mulvaney, de Nova York, foi a uma clínica comandada por Beth Janssen, terapeuta Schroth, em Stevens Point, no Wisconsin. Seu desvio de 42º estava crescendo e os ortopedistas disseram que ela precisaria passar por uma cirurgia.

“Já nos primeiros dias fiquei livre das dores pela primeira vez em cinco anos”, afirmou Rachel, agora com 19 anos de idade. Depois de oito meses de exercícios Schroth, o desvio havia diminuído para 30 graus, e desde então caiu para apenas 22º – uma redução extremamente rara em pacientes da idade dela. Seu ortopedista, John J. Labiak, professor clínico assistente na Universidade Stony Brook, afirmou ter ficado “chocado e positivamente surpreso” com seu progresso. Ele começou a recomendar o método a outros pacientes.

Especialista associa uso de colete à técnica em avaliação Nova York. Até mesmo a Sociedade de Pesquisa da Escoliose nos Estados Unidos está revendo seus conceitos. “Estamos utilizando o método Schroth em pessoas que já usam colete – acredito que ele tornará o uso do colete mais bem sucedido”, disse M. Timothy Hresko, diretor de pesquisa do comitê não invasivo da sociedade e professor associado de cirurgia ortopédica de Harvard. Na Universidade de Alberta, no Canadá, os pesquisadores realizaram recentemente um estudo piloto randomizado do método Schroth. O estudo de seis meses mostrou que os adolescentes com escoliose que fizeram o exercício tiveram um resultado muito superior ao dos adolescentes que não adotaram o método, no que diz respeito à progressão do desvio, à dor e à autoimagem. 

Flash

Tipos. Há três tipos de escoliose: idiopática (causa desconhecida), neurogênica (problemas neurológicos) e degenerativa do adulto.

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