O legado e as ilusões perdidas

iG Minas Gerais |

“Caminhando pelas ruínas de Confins, aeroporto de Belo Horizonte, me deparo com um arremedo de livraria improvisado sob escombros...”. Com essa frase o músico Tony Bellotto iniciou a sua coluna dominical no jornal “O Globo”, no dia 11 de maio, quando faltava apenas um mês para a abertura da Copa do Mundo no Brasil. Um mês depois que a presidente Dilma Rousseff dera entrevistas dizendo que “todos os aeroportos” das 12 cidades sedes estavam prontos para a “Copa das Copas”, como ela mesma batizou. O título dessa coluna de Bellotto era “Chuva de latrinas” e, no último parágrafo, ele dizia que Paschoal Fromm prepara novo livro com este nome, onde “... o autor narra parábola sobre um país fictício em que latrinas começam a despencar do céu, vitimando cidadãos inocentes...”, diz o Titã Bellotto. E conclui: “Só mesmo um gênio criativo como Fromm para imaginar situação tão absurda...”. Ironia sobre o inacreditável episódio de privadas jogadas do alto do Estádio Arruda, em Recife, quando uma delas matou um torcedor que saía do jogo entre Santa Cruz e Paraná pela Copa do Brasil.

Senhor Ministro! Perguntado a violência no Brasil, o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, disse que “...os estrangeiros precisam saber que, caso fiquem longe das favelas pacificadas, não caminhem nas ruas à noite, não carreguem equipamentos eletrônicos, andem com pouco dinheiro e não ofereçam resistência caso sejam abordados por bandidos, nosso país sem dúvida é muito menos perigoso que a Síria, o Iraque e o Afeganistão”.

Babacas! No dia 16 de maio, em conversa com blogueiros amigos, o ex-presidente Lula chamou de “babaca” quem cobra metrô para os estádios: “... nós nunca reclamamos de ir a pé (ao estádio). Vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa. A gente está preocupado? Ah não, porque agora tem que ter metrô até dentro do estádio. Que babaquice que é essa?”. Fazer o quê?

Sonho alto. Em 2007, quando o Brasil comemorou a vinda da Copa, pensei: oba! Finalmente Belo Horizonte ganhará um metrô decente, o Anel Rodoviário será reformado, o Rodoanel sairá do papel, o aeroporto de Confins estará no mesmo nível de alguns dos melhores do mundo, as BRs 381 e 040 serão duplicadas e nossa telecomunicação funcionará! Era sonhar demais?

Só um tempo. Com os jogos de Atlético e Cruzeiro começando às 18h30, só deu para assistir o primeiro tempo antes de enviar a coluna. Em Caxias, jogo em ritmo lento, mas dois gols. O Inter saiu na frente, com Wellington, em belíssima tabela; e Ricardo Goulart, sempre oportunista e bem posicionado, fez 1 a 1. O Atlético não fez um bom primeiro tempo e parecia que o Criciúma é quem jogava em casa. E Réver machucado de novo.

 

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