O profeta

iG Minas Gerais | Diego Costa |

SALVATORE DI NOLFI/AP - 21.3.2013
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O apelido é bastante sugestivo. Refere-se à inabalável fé e à habilidade que demonstra com as palavras fora de campo. Dentro das quatro linhas, também costuma desfilar a mesma classe. E Felipão, que já conta com São Victor em seu elenco, também pode recorrer ao “profeta” e evangélico Hernanes sempre que precisar de um milagre durante as partidas. Anderson Hernanes de Carvalho Viana Lima, de 28 anos, é natural de Recife, em Pernambuco. Foi revelado pelo São Paulo, em 2005. Sem espaço no time tricolor, foi emprestado ao Santo André, no ABC Paulista. Lá, se destacou e voltou ao time de origem, em 2007, e se tornou ídolo. Foi fundamental na campanha do título do Campeonato Brasileiro daquele ano. Em 2008, repetiu a dose e foi eleito o melhor jogador do Brasileirão. Atuou por mais duas temporadas pelo São Paulo. Em 2010, o Profeta foi para a Lazio. No time italiano, chegou a atuar mais avançado, como meio-campo, mas logo voltou à posição de origem e se deu muito bem, faturando a Copa da Itália. Mesmo com o sucesso e a identificação com o clube da cidade romana, Hernanes resolveu mudar de ares no início deste ano. E foi justamente para um dos principais rivais do ex-time, a Inter de Milão. Fora do último amistoso do Brasil, contra a África do Sul, Hernanes chegou a temer sua ausência na lista dos convocados. Mas tudo não passou de um susto, do mesmo tamanho do que foi dado no torcedor e nos companheiros de seleção quando ele agrediu o atacante Benzema, no amistoso contra a França, em 2011. O episódio ficou para trás, e o Profeta voltou a se comportar como o sábio que é. O prêmio é a camisa canarinho.

Um homem de fé Atualmente, a febre dos jogadores são os video-games, os jogos de futebol virtual. Na própria seleção, atletas como Neymar já postaram fotos com os consoles nas mãos e muita festa nos hotéis. Já o Profeta Hernanes prefere um outro hobby: a leitura. É a explicação para o próprio apelido, resultado da boa retórica nas respostas, frases de efeito que marcam a personalidade do pernambucano bom de bola. Um livro em especial merece atenção maior do volante. Em entrevista à TV Globo, ele confessou que já leu a Bíblia – o que não é pouco – três vezes. E já passou o hábito aos filhos. Nem só por jogos virtuais e tecnologia será marcada a concentração da seleção brasileira nesta Copa.

Lance inesquecível. Golaço marcado contra a Roma, no clássico da capital italiana, em abril do ano passado. Ele limpou a jogada e acertou um belo chute, de fora da área, no ângulo. Ele ainda perdeu um pênalti no jogo. A partida ficou empatada em 1 a 1

Ponto forte. Habilidade, bom passe e bom chute de longa distância. Ele também se torna uma boa opção quando se aventura no ataque

Ponto fraco. Por sair muito para o jogo, ele costuma deixar a desejar na marcação e proteção à defesa

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