A importância do invisível

Fundação Clóvis Salgado promove melhorias em estrutura do Grande Teatro para segurança e fruição do público

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Futuro. Está previsto também melhorias na parte acústica do espaço
Lincon Zarbietti / O Tempo
Futuro. Está previsto também melhorias na parte acústica do espaço

Quem já assistiu a pelo menos um espetáculo em um grande teatro, seja de música, de dramaturgia, de dança ou afim, sabe que a estrutura física do lugar influencia na experiência do espectador. Salvo em peças experimentais, cadeiras confortáveis, por exemplo, são importantes para que se possa desfrutar daquela arte exposta. O que o público não vê e nem faz uso direto, porém, também influencia nessa experiência.  

No Grande Teatro do Palácio das Artes, itens que compõem essa parte “invisível” ao público, mas de suma importância, vêm sendo, desde 2013, reformados não só para melhorar o espaço e conforto dos artistas e produtores, mas para receber maiores espetáculos, como óperas e musicais líricos de grande porte.

Na parte externa, houve a pintura da fachada e a troca dos vidros da bilheteria por modelos mais resistentes que suportam mudanças bruscas de temperatura. Mas é na parte interna que maiores mudanças têm acontecido. Toda a vestimenta cênica foi trocada – as cortinas do palco – por novas, feitas com um tecido anti-chamas, todos equipamentos de iluminação estão sendo substituídos, além dos camarins, que ganharam novo sistema de ar- condicionado, banheiros ampliados e os novos dimmers – dispositivos utilizados para variar a intensidade de uma corrente elétrica.

“Estamos fazendo todas essas mudanças com o teatro em funcionamento, o que implica em um grande desafio. Mas são essenciais pois a infraestrutura impacta não só nas produções, mas também na segurança”, afirma a presidente da Fundação Clóvis Salgado, Fernanda Machado, ao recordar o incêndio ocorrido no Grande Teatro, em abril de 1997.

Para ela, os consertos ampliam o campo de possibilidades de o Grande Teatro receber projetos que necessitam de infraestrutura mais completa. “As reformas colocam o teatro em um patamar que permite trazer novas e grandes produções, tirando-as do eixo Rio-São Paulo e as trazendo para cá e dando acesso a elas ao cidadão mineiro”, diz Fernanda.

Um movimento avalizado por produtores que trabalham há muito tempo no local, como Marisa Coelho, responsável pelas produções da PóloBH no espaço. “As cidades são avaliadas pelas produções de acordo com a infraestrutura que ofertam. E até detalhes, como a internet com aceso ilimitado e conforto dos camarins, são pré-requisitos”, adianta a produtora.

Trabalhando com produções no Grande Teatro desde 1976, quando estreou com o espetáculo “Maria Maria”, do Grupo Corpo, Paulo Pederneiras afirma que equipamentos de ponta são essenciais para que um espaço como esse, chamado por ele de “nossa segunda casa”, tem que se adequar adquirindo novas tecnologias. “Lembro que houve uma grande reforma no palco há pouco tempo e ele ficou muito seguro, e agora temos um ótimo equipamento de iluminação. Tudo isso é também uma forma de respeito pelo artista, pela produção”, diz, antes de concluir: “São mudanças que muitas vezes não aparecem para o público, como a reforma de um foyer, mas são significativas”.

Podem até não aparecer, mas reverberam, mesmo que de forma indireta, na audiência. “Se estamos melhor equipados e temos um campo maior de possibilidades no palco, isso reflete no espetáculo, que tem as potencialidades cênicas aumentadas com condições e equipamentos melhores, e na fruição da plateia”, afirma a gerente de programação da FCS, Fabíola Mendonça.

Com previsão de finalizar a implantação dos dimmers e da troca completa dos aparelhos de iluminação para dezembro deste ano, as reformas tem agradado também os funcionários do espaço cênico que veem, nos novos aparelhos, melhores condições de trabalho e também a possibilidade de executá-lo de forma cada vez mais aprimorada. É isso que diz técnico de palco Luiz Alberto Xavier Dutra, conhecido como “Sorriso”, que trabalha no local há 35 anos. “A reforma foi muito boa para os técnicos da casa. Antes só víamos aparelhos de ponta quando produções grandes os traziam, agora temos eles aqui. Toda vez que chega um refletor novo, a gente fica lá observando ele, como bobos”, diz.

Valor da reforma Grande Teatro

R$ 5 milhões A Secretariade Estado de Cultura investiu R$ 417 milhões em todo o sistema cultural do Estado. Desse valor, R$ 16,5 milhões foram destinados à FCS.

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