São João del Rey contada em livro

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

Foto da rua Ribeiro da Silva mostra diversidade arquitetônica
AAD/Divulgação
Foto da rua Ribeiro da Silva mostra diversidade arquitetônica

São João del Rey teve um desenvolvimento econômico diferenciado em relação a outras cidades mineiras e isso refletiu em sua arquitetura. Esse e outros fatos podem ser conferidos no livro “Memória Arquitetônica de São João del Rey”, que será lançado nesta segunda no BDMG Cultural.

Escrita pelos arquitetos André Guilherme Dornelles Dangelo e Vanessa Borges Brasileiro, a obra traz um panorama sobre a arquitetura e o urbanismo da cidade, que tem na história do país suas principais bases.

“Por estar localizada próxima do sul e do oeste do Estado, São João del Rey não estagnou economicamente no século XIX. Enquanto as outras cidades ‘adormeceram’ com o fim do ciclo do ouro, São João teve uma nova prosperidade com a economia do café”, conta André Dangelo. “Isso trouxe também uma riqueza arquitetônica para a cidade”, diz.

Essa riqueza, no entanto, reflete todos os ciclos econômicos pelos quais São João passou. Desde o período colonial até os dias de hoje, passando pelo império e pelo período republicano, com todas as modificações que essas épocas implicaram.

“A diversificação do estilo arquitetônico da cidade está vinculada a cada ciclo e também à capital do país, o Rio de Janeiro. Com a chegada dos engenheiros sanitaristas e positivistas do oeste de Minas, a ideia de cidade moderna foi ali aplicada. Assim São João ganhou projetos de saneamento básico e tudo o que se pregava naquele momento”, diz André.

O resultado disso é um local com reconhecida diversidade arquitetônica. “Dificilmente outra cidade de porte médio terá uma arquitetura tão rica, essa é uma característica de metrópoles”, afirma. Por outro lado, ele aponta a cultura do descaso com o patrimônio histórico, que até alguns anos atrás descaracterizava impunemente a cidade. “Até os anos 60 o processo de renovação de São João del Rey não era feito de forma sustentável. Só a partir desse momento é que a preocupação com a preservação começou a existir. Hoje, o Conselho do Patrimônio é muito atuante e faz um enorme esforço que envolve a cultura e o esclarecimento da população”, afirma Dangelo.

Esse processo de modificação que a cidade viveu também se reflete no comportamento de seus cidadãos, que passam a aceitar as mudanças com mais facilidade. “É um local onde as pessoas não estranham a modernidade. Lá convive-se bem tanto com a ideia de renovação quanto com a de preservação”, avalia o arquiteto.

Agenda

O que. Lançamento de “Memória Arquitetônica de São João Del Rey”

Quando. Nesta segunda, às 19h

Onde. BDMG Cultural, rua Bernardo Guimarães, 1.600, Lourdes

Quanto. Entrada Franca

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