Lembranças de um jogo que nunca acabou

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Trauma. Imagem histórica mostra o segundo gol do Uruguai no Maracanã, que marcou o fim do sonho brasileiro de ver
sua seleção campeã em casa
ARQUIVO / AGENCIA O GLOBO
Trauma. Imagem histórica mostra o segundo gol do Uruguai no Maracanã, que marcou o fim do sonho brasileiro de ver sua seleção campeã em casa

Foram 18 horas de viagem de Belo Horizonte até o Rio. Tudo no improviso, convite de um amigo cujo pai era caminhoneiro. Qualquer esforço era válido para ver a final da Copa de 1950, até entrar de penetra no Maracanã após uma confusão nos portões de acesso. Com a propriedade de quem vivenciou aquele fatídico 16 de julho, o funcionário público aposentado Elmo Cordeiro relembra o jogo e exime o goleiro Barbosa de culpa. Para ele, faltou preparo ao Brasil.  

“O empate dava o título ao Brasil, mas aquele time ‘pregou’. Eles eram velhos, jogadores acima de 28, 29 anos. Ninguém fala isto, mas a preparação física pesou demais. O segundo gol do Uruguai foi questão de tempo. O Ghiggia bateu o marcador lá no meio de campo e correu uns 40 metros sozinho, não teve cobertura. Livre, ele preferiu chutar direto. A bola entrou, o Brasil não teve mais forças para reagir, o Maracanã ficou em prantos, e a imprensa paulista pegou o Barbosa para Cristo”, conta Elmo Cordeiro, que também foi gandula no Independência durante os jogos da Copa de 1950.

Presidente de honra do América, Afonso Celso Raso também vivenciou o pesadelo. “Aquele jogo foi a maior prova de que futebol não se vence de véspera. Quando o Uruguai fez o segundo gol, um silêncio tumular tomou conta de Belo Horizonte. Parecia que tinha morrido alguém da família. Ninguém acreditava”, afirma.

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