O olhar do vencedor

iG Minas Gerais | Josias Pereira |

Fenômeno. Estádio Centenário, em Montevidéu, lotado durante o lançamento de “Maracaná”, documentário sobre o Macaranazo
Coral Cine / Divulgacao
Fenômeno. Estádio Centenário, em Montevidéu, lotado durante o lançamento de “Maracaná”, documentário sobre o Macaranazo

O placar estava empatado. De repente, a preocupação paralisou os sentidos. Na ponta direita, Ghiggia, o camisa 7, bateu o marcador e avançou. A cada palmo de gramado, mãos tapavam os olhos. Todos pareciam imaginar o desfecho. Quando o chute saiu, Barbosa nada pode fazer: 2 a 1. O Maracanã se calou.  

É mais ou menos assim que a história mais triste do futebol brasileiro em Copas é contada de norte a sul do Uruguai. Uma narrativa igualada a fábulas como Pinóquio e João e Maria.

Com o cineasta uruguaio Sebastián Bednarik a história não foi diferente. Fã de futebol e torcedor do Nacional, ele cresceu ouvindo histórias de seu maior ídolo, o capitão do bi mundial Obdulio Varela. Sessenta e quatro anos depois do feito no Rio, um documentário dirigido por Bednarik e pelo compatriota Andrés Varela traz imagens inéditas do jogo que decidiu a primeira Copa no Brasil.

Lançada em março deste ano, a película “Maracaná”, inspirada no livro “Maracaná, la Historia Secreta”, do jornalista uruguaio Atílio Garrido, resgata, em seus 75 minutos, imagens que ficaram esquecidas na cinemateca do país vizinho, além de cervos particulares na Europa e no Brasil.

“Este documentário é fruto de um grande esforço de pesquisa de três anos e meio. Desde a estreia no estádio Centenário, em Montevidéu, temos visto a empolgação do público. Já se passaram mais de dez semanas que está em cartaz, e, todas as vezes que a sessão se encerra, as pessoas aplaudem de pé”, relata.

O documentário também retrata o contexto histórico do Mundial no Brasil e no Uruguai. Enquanto um país se preparava para um ano eleitoral, o outro atravessava uma greve sem precedentes. “Os jogadores uruguaios tinham outras ocupações além do futebol. Eles enfrentaram sete meses de greve como operários e sindicalistas antes de partirem para a disputa do Mundial”, destaca o cineasta.

Sobre a possibilidade de a história vitoriosa de 1950 se repetir no Mundial deste ano, Bednarik diz que os tempos são outros, mas a essência do jogo nunca mudou. “O Brasil não precisa temer o que muitas pessoas chamam de ‘fantasma de 1950’. Um novo Maracanazo pode acontecer em qualquer lugar. Por trás do negócio em que se transformou o futebol, é preciso lembrar que dentro de campo são 90 minutos, 11 contra 11”, conclui.

Chance de ver Nesta madrugada, o canal ESPN Brasil transmitiria o filme “Maracaná”, na íntegra, a partir de 1h30. O documentário foi lançado no Brasil em maio, durante a Cinefoot. Para o diretor Andrés Varela, o documentário é uma metáfora que retrata a manipulação de dois povos, os brasileiros e os uruguaios, por meio do esporte.

Mais inspiração O famoso Maracanazo inspirou outras obras artísticas, entre livros, curta-metragens e documentários. Confira alguns: “Maracanazo - Tragédias e Epopeia de um Estádio com Alma”, de Teixeira Heizer, ed. Mauad; “Barbosa - Um gol faz 50 anos”, de Roberto Muylaert, ed. RMC; xurta-metragem “Barbosa”, dos diretores Jorge Furtado e Ana Luzia Furtado.

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