Momento dos sul-americanos

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Os times brasileiros e sul-americanos estão fracos, e as seleções, fortes. A razão principal é óbvia: a saída dos melhores jogadores para a Europa, onde várias equipes são superiores às seleções de seus países. Mas não é só por isso. Nos últimos tempos, os europeus, preocupados com o lucro, com a segurança nos estádios e com a qualidade do espetáculo, melhoraram os gramados, deram mais conforto aos torcedores (clientes) e fizeram campeonatos mais organizados. Misturaram a disciplina europeia e a troca de passes com segurança, geralmente com dois toques, para não perderem a bola, com a fantasia e a improvisação dos atletas sul-americanos importados. A habilidade não é mais privilégio do Brasil. Enquanto isso, o futebol brasileiro foi para outro caminho. Os campeonatos são desorganizados, e os jogos são tumultuados, truncados, com excesso de faltas, de simulações e de jogadas aéreas. Predominam, do meio para frente, jogadores velozes, alguns habilidosos, mas com pouca técnica. Walter é uma das exceções. Os campeonatos europeus são tão organizados, os gramados, tão bons, e os estádios ficam tão cheios, que qualquer jogo medíocre se torna interessante. O fato de os melhores jogadores sul-americanos atuarem nas grandes equipes da Europa, onde assimilam a disciplina tática, facilita para Felipão e para os outros treinadores das seleções. As seleções sul-americanas e europeias possuem estratégias parecidas. Evidentemente, há particularidades. A do Brasil é pressionar no início, assustar o adversário, fazer logo um gol e empolgar o torcedor. Deu certo na Copa das Confederações. A do Chile, dirigido por Sampaoli, aprendiz de Loco Bielsa, é ocupar o campo do adversário, como faz Guardiola no Bayern e fez no Barcelona. Como os zagueiros e o goleiro chilenos são apenas razoáveis, é um risco contra grandes seleções, por deixar muitos espaços na defesa para o contra-ataque. Esses técnicos, e outros poucos, fogem do lugar-comum. É bom ver suas equipes jogarem, mesmo nas derrotas. Pena que só Sampaoli estará na Copa. São técnicos disciplinados, organizados e fascinados por títulos. Mas querem ir além da vitória, impor o estilo e ganhar com brilho. São loucos racionais, que gostam de deformar o estabelecido. Lembro-me de Romário, que, enquanto todos os defensores iam para um lado, ia para o outro, esperar a bola e fazer o gol. Os treinadores, e outros tipos de profissionais de destaque, estão sendo transformados em personagens, garotos-propaganda, celebridades. O personagem, cada vez mais, se descola e se torna mais importante que a pessoa e o profissional. Há uma grande curiosidade sobre o que fazem e falam os personagens, mesmo quando não têm nada para dizer. As celebridades já estão chegando para a Copa.

Galo e Raposa O Atlético, sem Ronaldinho, Tardelli e Jô, venceu e jogou melhor os dois últimos jogos. Isso pressiona os titulares. Fernandinho e Marion, dois velocistas pelos lados, têm jogado bem. Maicosuel, se vier, será mais um corredor. O Atlético precisa melhorar a qualidade do meio-campo. Pierre e Leandro Donizete se limitam a marcar, sem nenhum brilho na armação. O Cruzeiro repete a estratégia do ano passado, de trocar jogadores de uma partida para outra. Deu muito certo. Como perdeu a Libertadores, há críticas ao técnico, de que ele tem trocado muito. No último jogo, Marcelo escalou mais um volante, Willian Farias. Existem uns 500 do mesmo nível. Ainda bem que a diretoria não foi na onda dos amigos de Luxemburgo, que queriam colocá-lo no lugar de Marcelo.

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