Juro baixo e prazo mais longo

Títulos do tesouro e prêmio de loteria não resgatado ajudam no fomento do crédito oficial do governo

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

A taxa de juros do Financiamento Estudantil (Fies) é de 3,4% ao ano. O percentual é o mesmo cobrado em um empréstimo pessoal. Só que, neste caso, são 3,4% por mês. De acordo com o diretor de Fundos e Benefícios do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Antônio Corrêa Neto, além das condições do financiamento, o Fies só começa a cobrar um ano e meio após a formatura, o que dá ao estudante um tempo para entrar no mercado de trabalho e gerar sua própria renda.  

“Quando ele começa a pagar, o valor mensal gira em torno de 40% da mensalidade. Para um curso de R$ 1.000, o estudante vai pagar cerca de R$ 400, divididos em até 13 anos”, exemplifica Neto.

Se o aluno ganha a chance de fazer a faculdade e só pagar depois, a instituição ganha com a redução na taxa de inadimplência. Tanto no caso do Fies como do programa de credito universitário privado, Pravaler, a ajuda de custo não vai direto para o aluno, mas para a universidade, que reduz os riscos de calote.

No caso do Fies, o governo repassa o valor à universidade, mas não em moeda corrente, e sim em títulos do tesouro. “A instituição tem a opção de usar o valor para abater nas contribuições previdenciárias e, se sobrar, nós recompramos os títulos e aí sim repassamos em dinheiro”, afirma Neto.

O dinheiro que ajuda a financiar o ensino superior de tanta gente vem de parte dos recursos arrecadados com as loterias. “Inclusive prêmios que não são resgatados, e também com o pagamento do próprio financiamento”, esclarece Neto.

Só neste ano, foram assinados 418,53 mil contratos do Fies. “Isso até 20 de maio, que é o período que temos maior demanda. Até o fim do ano esperamos assinar mais 200 mil”, estima o diretor. Segundo ele, de janeiro a abril de 2014, já foram repassados R$ 4,53 milhões. Desde 2010, foram R$ 19,2 milhões.

Histórico

O programa. O Fies foi criado em 1999. Até 2009, a gestão era da Caixa Econômica. A partir de 2010, passou para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Econômico (FNDE).

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