Um a cada quatro estudantes cursa primeiro e paga depois

Fies, Pravaler e outras opções do mercado garantiram 570 mil matrículas em 2013

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Facilitou. Katlheen Alcântara estuda engenharia graças ao Fies e vai tentar pagar tudo antes do prazo
JOAO GODINHO/ O TEMPO
Facilitou. Katlheen Alcântara estuda engenharia graças ao Fies e vai tentar pagar tudo antes do prazo

Foi-se o tempo em que a falta de dinheiro era empecilho para fazer faculdade. Hoje, quem não consegue entrar numa universidade pública tem a quem recorrer além de pai, mãe ou padrinho rico. Programas de crédito estudantil tornaram possível cursar primeiro e pagar depois, quando o aluno já estiver formado e, se tudo der certo, com um emprego e uma renda. Segundo estudo da Ideal Invest essa já é a solução para pelo menos um a cada quatro estudantes da rede privada.  

“Constatamos que 24% dos alunos que entraram para a universidade contam com alguma ajuda, seja bolsa ou financiamento. De um total de 2,4 milhões de matrículas em 2013, cerca de 570 mil contam com alguma política de crédito”, afirma o diretor de Marketing e Produtos da Ideal Invest, Rafael Baddini.

Desse total, a grande maioria é adepta do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que, cobrando uma taxa de juros de 3,4% ao ano, permite ao estudante pagar o curso em 13 anos. O prazo começa a ser contado um ano e meio depois da formatura. Enquanto estuda, o aluno paga só uma taxa de R$ 50 por semestre, para amortizar os juros.

“Eu e meu irmão estamos na faculdade. Se não fosse o Fies, meus pais não poderiam manter os dois simultaneamente”, afirma a estudante do 10º período de engenharia civil, Katlheen Alcântara de Souza, 24. “Assim que eu arrumar um emprego, pretendo antecipar as parcelas e pagar o mais rápido possível”, afirma ela.

Sozinho, o Fies vem ajudando a pagar a faculdade de mais de 1,5 milhão de pessoas, desde 2010. Mas não é a única opção. Quem não se enquadra nos critérios exigidos – renda familiar de até 20 salários mínimos – tem outras opções. O Pravaler é uma delas. Criado pela Ideal Invest em 2006, é o maior programa de crédito estudantil privado do país. “Já financiamos mais de 40 mil alunos e repassamos cerca de R$ 1 bilhão”, destaca Baddini.

A diferença em relação ao Fies está no prazo, que é até duas vezes o tempo do curso; e nos juros, que são de zero até 2,19% ao mês. “É uma alternativa para quem não quer deixar para pagar tudo depois que se formar, pois, no Pravaler, a pessoa vai pagando metade da mensalidade, mais os juros. Se o curso tem quatro anos, ela terá até oito para pagar”, explica Baddini.

Em Minas Gerais, 41 instituições são parcerias do Pravaler. Dessas, 15 subsidiam os juros, ou seja, o aluno paga 50% da mensalidade. É o caso da Fumec. “Fizemos um convênio e, durante os dois primeiros anos, pagamos os juros do Pravaler e nossos alunos pagam só a mensalidade”, explica o coordenador financeiro da Fumec, Franklin Gonçalves do Amaral Leite.

Segundo ele, hoje 26% dos alunos da Fumec têm algum tipo de financiamento. Além do Pravaler e do Fies, a universidade tem um programa próprio de crédito reembolsável. “Durante o curso, o estudante paga 50% da mensalidade. O restante será pago depois de formado e o aluno terá o mesmo prazo de utilização. Se usou por três anos, terá mais três após a formatura. Não cobramos juros, só a metade da mensalidade corrigida”, explica Leite.

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