Pré-candidatos querem passar longe dos temas delicados

Presidenciáveis se calam sobre assuntos como aborto, legalização da maconha e casamento gay

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Dilma “mudou de opinião” sobre o aborto na campanha de 2010
Roberto Stuckert Filho/PR - 8.5.2013
Dilma “mudou de opinião” sobre o aborto na campanha de 2010

Temas delicados podem mudar uma eleição, dependendo da forma como o candidato se manifesta e da reação que a declaração provoca no eleitorado ou em parte dele. Assuntos polêmicos como a descriminalização do aborto, a legalização da maconha, a redução da maioridade penal e o reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo são alguns dos exemplos em que os candidatos, muitas vezes, se mostram incomodados em manifestar suas opiniões, com receio da repercussão.

Os três principais presidenciáveis deste ano já se manifestaram sobre os temas acima em diferentes momentos quando provocados por jornalistas. A presidente Dilma Rousseff (PT), por exemplo, mudou de opinião com relação ao aborto depois que o assunto virou tema central na campanha presidencial de 2010.

Um ano antes, ainda como ministra-chefe da Casa Civil, a petista disse que mulher nenhuma se sentia confortável ao fazer um aborto, o que “não pode ser justificativa para que não haja a legalização”. A opinião de Dilma gerou resistência de setores conservadores e, no ano seguinte, ela assinou um documento em que garantia não alterar a legislação sobre o tema, caso eleita.

O aborto também foi tema na primeira eleição direta para presidente depois do regime militar, em 1989. A campanha de Fernando Collor levou ao ar depoimento de uma ex-namorada de seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, que o acusou de incentivar o aborto de sua filha Lurian.

Na pré-campanha às eleições deste ano, os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE), em geral, têm adotado posturas conservadoras quando interpelados sobre aborto ou drogas, por exemplo. Ambos se dizem contra a legalização da maconha e também não acham que a legislação sobre o aborto tenha que ser alterada.

Os dois divergem com relação à redução da maioridade penal. O tucano é favorável ao projeto de seu colega Aloysio Nunes (PSDB-SP), que prevê punições mais duras para jovens entre 16 e 18 anos envolvidos em crimes violentos ou que sejam reincidentes.

“É uma proposta que defenderei na campanha”, disse Aécio há pouco mais de um mês. Já o pernambucano é contra. “Não vai resolver o problema”, crava. A mesma opinião é compartilhada pela presidente Dilma Rousseff.

A reportagem de O TEMPO procurou as assessorias de imprensa dos três pré-candidatos para que eles pudessem se manifestar sobre os temas. Nenhum deles se prontificou a falar se abordará os assuntos na campanha.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave