O gênio

iG Minas Gerais | Victor Martins |

Com Tostão, o futebol mineiro se viu definitivamente representado na Copa do Mundo. Antes de ele ser convocado para o Mundial de 1966, nenhum jogador que atuava em clubes de Minas Gerais havia sido chamado para um Mundial. Tostão foi o primeiro atleta de um clube de Belo Horizonte a entrar nesta lista. Com as cores do Cruzeiro, foi escalado por Vicente Feola para a Copa realizada na Inglaterra.

Por conta da desorganização e da bagunça que foi a seleção brasileira naquele torneio, Tostão sucumbiu como todo o time. Ele jogou apenas uma partida, na derrota por 3 a 1 para a Hungria. Para sorte dos brasileiros, Tostão teve mais uma chance de mostrar na seleção brasileira o mesmo futebol que apresentava no Cruzeiro.

Ele foi titular do Brasil na Copa de 1970. O ataque era formado por craques, tanto que foi preciso arrumar uma maneira de incluir tantos armadores no time: Tostão, Pelé, Gérson e Rivelino. Bom para Jairzinho, que recebia a bola de tudo quanto é maneira e marcou gols em todas as partidas.

“Fui um centroavante armador, servindo de ponto de referência e apoio para os supercraques que vinham de trás. A seleção precisava – e eu tinha consciência disso – de um jogador técnico, inteligente, de passe correto, e não de um jogador só para fazer gols”, disse Tostão ao site da Fifa. Camisa 9 na terceira conquista brasileira em Copas do Mundo, Tostão foi titular nas seis partidas e marcou dois gols, ambos diante do Peru, nas quartas de final.

Médico. Aposentado no futebol, Tostão foi seguir outra carreira. Optou pela medicina e passou no vestibular da UFMG em 1975. Seis anos depois, ele estava formado

Aposentadoria. Por conta do incidente em 1969, Tostão teve parar de jogar futebol com apenas 27 anos. O craque brasileiro corria o risco de ficar cego caso não largasse a carreira de jogador

Recordista. Apesar de uma carreira tão curta, Tostão ainda é o maior artilheiro da história do Cruzeiro. Com 242 gols marcados, ele deve permanecer no posto por um longo tempo

Para o bem da nação Segundo mineiro de Belo Horizonte a jogar em uma Copa do Mundo, Tostão esteve perto de não participar da conquista do tricampeonato. Meses antes da disputa do Mundial, ele sofreu um acidente. Em setembro de 1969, no Pacaembu, o Cruzeiro foi enfrentar o Corinthians, e o craque celeste levou uma bolada no olho esquerdo. Tostão sofreu um descolamento de retina e foi operado no início de outubro. Depois de seis meses de recuperação, encontrou outro problema. Se com João Saldanha ele era nome certo entre os titulares, com Zagallo a situação mudou. A troca no comando técnico, em março de 1970, ameaçou a presença de Tostão entre os 11, já que o novo treinador via o jogador do Cruzeiro disputando posição com Pelé. Mas, para o bem da nação, Zagallo arrumou um lugar para Tostão, que correspondeu em campo à confiança do novo treinador.

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