Jornalista vai à Coreia do Norte e revela país fechado em fotos

“Logo que cheguei no minúsculo e amador aeroporto de Pyongyang já tinha guardas gritando comigo”

iG Minas Gerais | Flávia Denise |

Do alto, uma das cidades da Coreia Norte retratada por Juliana Cunha
Juliana Cunha/Divulgação
Do alto, uma das cidades da Coreia Norte retratada por Juliana Cunha

A jornalista e fotógrafa Juliana Cunha viajou até a Coreia do Norte no ano passado para conhecer o país mais fechado do mundo e descobrir como é a vida das pessoas que seguem as regras do ditador Kim Jong-unG Juliana Cunha Jornalista e fotógrafa brasileira iajou para a Coreia do Norte em 2013.

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De onde surgiu a vontade de conhecer a Coreia do Norte?

Já tinha lido alguns livros sobre o país e visto os documentários que a BBC conseguiu gravar por lá. Tenho interesse pelo Oriente de modo geral e claro que a Coreia do Norte chama atenção quando se começa a ler sobre a região. Eu estava planejando uma viagem para Índia e China quando surgiu a oportunidade de ir para a Coreia do NorteEntrei como convidada da Embaixada do Brasil. Então foi bem tranquilo.

Qual era sua expectativa do local antes de chegar?

Já tinha lido bastante sobre o lugar e assistido basicamente todos os filmes disponíveis, então, eu sabia o que esperar. Acho que essa não é uma viagem para se fazer na espontaneidade. Minha primeira impressão foi a confirmação do que já tinha lido: logo que cheguei no minúsculo e amador aeroporto de Pyongyang (capital do país) já tinha guardas gritando comigo, querendo saber cadê meu guia (algo que eu não tinha), essas coisas.

É possível entrar no país comprando um pacote de turismo?

O governo exerce um controle rígido sobre o turismo. Existe uma companhia oficial de turismo, a Ryohaengsa, que precisa aprovar o itinerário de visitas de todos os turistas. Além disso, estes devem estar sempre acompanhados de um guia, um tradutor e um motorista, todos eles funcionários da companhia. Teoricamente, você pode ir a uma embaixada norte-coreana (tem uma em Brasília) e acertar tudo isso por lá, mas é um processo muito burocrático. A maioria das pessoas simplesmente compra pacotes turísticos de agências especializadas na Coreia do Norte como a Koryo Tours e a Juche Travel Services. Viajar por intermédio dessas agências é relativamente simples, porém caro, por ser um destino exótico.

Como é o povo norte-coreano?

Acho complicado dizer isso com uma experiência tão limitada sobre o país. Os tradutores da embaixada eram muito legais, engraçados, até. Na rua, algumas pessoas pareciam assustadas, outras cuspiam quando eu passava, e outras pareciam apenas curiosas mesmo.

Até que ponto vai a influência de Kim Jong-un no dia a dia?

O sistema de fato é muito parecido com uma monarquia absolutista, não tem nada a ver com socialismo, nem eles se reivindicam socialistas a essa altura. Por motivos óbvios, é muito difícil saber o que é boato e o que é verdade na pouca cobertura que a imprensa faz do país. As pessoas se vestem de um jeito muito uniforme e discreto, ninguém usa nada chamativo, cores berrantes (só as crianças, um pouco), ninguém tem um corte de cabelo excêntrico. Acredito que isso se deva a uma mistura de falta de abastecimento (fui às lojas deles, não tem tanta opção e se você só pudesse ter poucas roupas, acredito que escolheria coisas mais básicas) com precaução. Se eu vivesse numa ditadura brutal como aquela, preferiria não chamar muita atenção para mim mesma.

Para ler

Livro: Kimland

Autora: Juliana Cunha

Editora: independente

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