Galpão encerra festival neste domingo

Em um ano de estrada, atores ampliam compreensão de “Os Gigantes da Montanha”, sua montagem mais recente

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Tempo. Para atores do Galpão, após um ano circulando com a peça, o entendimento do texto mudou
Guto Muniz
Tempo. Para atores do Galpão, após um ano circulando com a peça, o entendimento do texto mudou

Enquanto Inês Peixoto e Teuda Bara estão no ar como Dona Tê e Mãe Benta em “Meu Pedacinho de Chão”, novela das seis da Rede Globo, o Grupo Galpão se reordena para continuar com a trajetória do espetáculo “Os Gigantes da Montanha”. Marcelo Cordeiro, assistente de direção de Gabriel Villela na montagem, assume o papel de Teuda, e Jimena Castiglioni faz a Condessa Ilse, substituindo Inês na apresentação deste domingo, às 20h, no Estádio Mário Ferreira Guimarães (Baleião), encerrando o Festival Internacional de Teatro (FIT–BH). As senhas começaram a ser distribuídas neste sábado e a capacidade do espaço é para 2.500 espectadores.

“Jimena é ótima atriz e combina muito ela ser uruguaia e representar uma prima-dona. Ter um pouco de sotaque funciona bem para a constituição da personagem”, diz o ator Eduardo Moreira. Ele interpreta o mago Cotrone, líder de um grupo de artistas que romperam com a sociedade para viverem imersos na poesia. Ilse faz parte de uma companhia teatral decadente que encontra Cotrone e se envolve na utopia. O desfecho trágico não chegou a ser escrito por Pirandello, que, antes, morreu de pneumonia, em 1936, mas no leito de morte o Nobel italiano sugeriu o final que o Galpão adota.

Desde a estreia há um ano, mudou não somente o elenco da peça, mas a apropriação que o grupo faz do texto no contexto do teatro de rua. “A gente entende o espetáculo muito melhor hoje do que quando estreou”, diz Moreira. “O meu personagem é uma espécie de alter ego de Pirandelllo, ao propor um mergulho da arte na poesia radical e no delírio. Toda parte da filosofia da peça é exposta por ele, hoje eu compreendo bem mais isso”, completa.

“Os Gigantes da Montanha” já passou por mais de 20 cidades e fez quase 70 apresentações, na capital mineira, no interior e em outros Estados. “Fizemos uma temporada por oito cidades no Vale do Jequitinhonha com um público pouco acostumado a ver teatro e foi uma coisa muito viva”, conta Moreira.

O próximo projeto do grupo ainda é uma incógnita. “Estamos em um processo de trabalho e discussão intensos para saber o que fazer”, diz Moreira. Já foram realizados workshops baseados em ideias musicais e em monólogos propostos pelos atores. O caminho que se abre até agora é menos favorável à montagem de um texto pronto, como as últimas obras do grupo (Pirandello e Tchékhov), do que à adaptação ou mesmo um texto próprio. “Mas não batemos o martelo”, diz. “Deve ser um espetáculo de sala, um trabalho mais intimista, detalhista, com outro tipo de interpretação”, sugere o ator.

Agenda

O Que. “Os Gigantes da Montanha”

Quando. Domingo, às 20h

Onde. Estádio Mário Ferreira Guimarães – Baleião (rua Sta. Rita, 4.600, Vila Nossa Senhora de Fátima)

Quanto. Entrada franca, mediante retirada de ingressos a partir das 18h, no Baleião

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